Werther Santana/Estadão
Expectativa é de recorde histórico de operações de fusões neste ano Werther Santana/Estadão

Fusões e aquisições podem ter valor recorde no Brasil em 2021

Operações já somam US$ 52,1 bilhões no ano e superam o resultado de 2020 inteiro, que foi de US$ 45,9 bilhões

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2021 | 23h59

Um grupo de empresas que encheu o caixa nos últimos tempos deve usar esses recursos para assediar os concorrentes nos próximos meses com ofertas agressivas de fusão ou aquisição, em busca de ganho de escala e de presença mais forte no digital. Com grandes movimentos no varejo (com a compra da Hering pelo Grupo Soma) e saúde (com a união de Hapvida e NotreDame Intermédica), o mercado já projeta um recorde histórico de operações em 2021. 

O início do ano já deu uma amostra desse apetite. Segundo a consultoria Dealogic, que coleta dados do mercado financeiro, já foram realizadas neste ano até aqui US$ 52,1 bilhões em operações de fusões e aquisições no Brasil, superando o valor de todo o ano passado, que foi de US$ 45,9 bilhões. 

Entre as empresas que devem liderar esse movimento, está a varejista Renner. Após colocar cerca de R$ 4 bilhões no caixa, a varejista gaúcha analisa diversos ativos para aquisição e a expectativa é que a empresa dê um passo mais firme no mundo digital. 

No mercado financeiro, as movimentações estão em ebulição. O Nubank atraiu um aporte de US$ 750 milhões liderado pelo Berkshire Hathaway, de Warren Buffett. O fundo americano Advent comprou uma fatia da empresa de pagamentos Ebanx. Já o BTG Pactual e a XP anunciam compras quase semanalmente.

“O termômetro está em altíssima temperatura e teremos um volume extraordinário neste ano. Temos o efeito do represamento de operações no ano passado e da grande liquidez nos mercados”, diz o sócio do BTG Pactual Bruno Amaral, responsável pela área de M&A (fusões e aquisições). 

O executivo afirma que as operações de aquisições começaram a sair do papel no fim do ano passado, depois de uma maior distribuição das vacinas contra a covid-19 entre os países – o que deu ao mercado a chance de vislumbrar uma redução dos efeitos da crise sanitária na economia.

Poder dos IPOs

O responsável global do banco de investimento do Itaú BBA, Roderick Greenless, diz que o salto nas aquisições tem sido ajudado pelo aumento do número de empresas listadas na Bolsa, movimento que tem ganhado corpo no País por conta da taxa básica de juros em um dígito. Além de estarem capitalizadas e com acesso a investidores, as empresas listadas passam a poder dar ações como moeda de troca, facilitando as negociações. “As empresas capitalizadas estão se saindo melhor. Quem está com dinheiro no caixa, está indo às compras”, confirma o responsável pelo Bradesco BBI, Felipe Thut.

Isso aparece nas documentações entregues pelas companhias listadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Análise dos comunicados das empresas de capital aberto feito pela MZ mostra que, no acumulado do ano, o número de documentos referentes a aquisições subiram 17% ante 2020, sendo que o setor de tecnologia foi o líder em anúncios.

Segundo o professor na Faculdade de Direito da USP e sócio do VMCA, Vinicius Marques de Carvalho, as mudanças trazidas com a pandemia afetaram as necessidades das companhias. “A crise atual, com todos os seus desdobramentos, radicalizou tendências e transformações estruturais, tanto na produção quanto no consumo”, afirma o especialista, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O presidente da Corporate Consulting, Luis Alberto de Paiva, diz que, assim como há empresas com apetite para compras, há outras em busca de comprador, por causa de seu alto endividamento. “Algumas empresas ficaram para trás na pandemia e acabaram ficando mais suscetíveis à venda. Há capital de diferentes origens, inclusive internacional, de olho nessas oportunidades, já que o endividamento reduz o valor das empresas”, diz.

Na JK Capital, o número de transações em curso atingiu o maior volume de sua história. São 60 operações na mesa, 20% a mais do que a média dos últimos anos, diz o sócio da assessoria, Saulo Sturaro, que teve de ampliar o time para dar conta do trabalho. Segundo ele, os setores de saúde, logística e de tecnologia têm puxado a tendência de aquecimento do mercado.

Empresas esperam demais para vender

Estudo global de desinvestimento corporativo da consultoria EY aponta que 95% dos negócios que foram alvo de aquisições admitem que deveriam ter vendido o negócio antes. Fabio Schmitt, da EY, diz que o tema é recorrente, dada a dificuldade de decisão de desinvestimento, principalmente quando o negócio vai bem. “As empresas devem sempre fazer uma avaliação de seu portfólio”, diz ele, definindo, em especial, se determinado ativo é essencial ou não ao negócio principal. A consequência de vender tarde demais, segundo a EY, é um valor mais baixo na negociação.

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Uma gigante de R$ 100 bilhões na Bolsa

Fusão de Notre Drame Intermédia e Hapvida criará uma das empresas mais valiosas da B3

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2021 | 23h59

A fusão entre duas gigantes da saúde (Notre Dame Intermédica e Hapvida) criará uma das empresas mais valiosas da B3, com valor superior a R$ 100 bilhões. Apesar da união de dois pesos-pesados, as companhias dizem que a sobreposição é baixa, visto que uma é forte na região Nordeste e a outra, no Sudeste. A nova empresa terá de 300 clínicas, 70 hospitais e vai reunir 8,3 milhões de usuários de convênio médico. O negócio aguarda sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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Na disputa pela Hering, Grupo Soma leva a melhor

Competidora Arezzo foi desbancada pelo 'novato'

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2021 | 23h59

Conhecida nos corredores dos shoppings pelas marcas de grife como Farm e Animale, o Grupo Soma abocanhou a centenária Hering. A operação ainda aguarda o aval do regulador para se concretizar. Para levar a Hering, o Soma desbancou a Arezzo e avaliou a empresa em R$ 5,1 bilhões, preço 70% superior ao inicialmente oferecido pela Arezzo. Para fazer frente a esse compromisso, o Grupo Soma deverá fazer uma nova oferta de ações de até R$ 1 bilhão, conforme apurou o Estadão.

 

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Renner enche o caixa e mira meios digitais

Renner colocou cerca de R$ 4 bilhões em caixa e deixou claro que o valor será em aquisições

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2021 | 23h59

A varejista Renner colocou cerca de R$ 4 bilhões no caixa em uma recente oferta de ações e deixou claro aos investidores que o dinheiro captado está carimbado: será utilizado em aquisições. A leitura no mercado é que a empresa deve fazer um movimento em busca de reforçar sua vida digital, algo que se tornou fundamental ao varejo com a pandemia. A companhia teria colocado Dafiti na mesa, mas a roda de aposta no mercado inclui nomes como a Westwing, Track &Field ou ainda a Amaro.

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BTG vira uma 'máquina de aquisições'

Capitalizado, banco fez 10 compras para fortalecer plataforma de investimento digital

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2021 | 23h59

Muito capitalizado após fazer três ofertas de ações em um ano, o BTG Pactual já fez dez aquisições para fortalecer sua plataforma de investimento digital, em um momento em que o número de pessoas físicas na Bolsa só cresce. O banco, de André Esteves, foi agressivo para atrair escritórios de agentes autônomos ao propor sociedade para que essas casas se tornassem corretoras. Levou empresas da velha-guarda, como a Fator, e ainda a Universa, dona da Empiricus e da gestora Vítreo. 

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