Brasil poderá se unir à UE contra barreiras ao aço

O Brasil poderá se aliar à União Européia (UE) e outros seis países no processo contra as barreiras ao aço impostas pelos Estados Unidos. O País é o único que não faz parte, até agora, da coalizão montada pela UE na Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar o protecionismo norte-americano. No início de março deste ano, os Estados Unidos implementaram uma tarifa de até 30% sobre as importações de aço de todo o mundo, inclusive do Brasil. Washington alegou que os produtos importados estariam levando as empresas nacionais ao colapso. Diante das barreiras, uma série de países, entre eles a China, Suíça, Japão, Coréia, Nova Zelândia e os europeus decidiram pedir a intervenção da OMC para julgar se a medida norte-americana estaria violando as regras do comércio internacional. O Brasil, porém, optou por questionar os Estados Unidos de forma independente. A estratégia era tentar conseguir que Washington aceitasse o argumento do Itamaraty de que os produtos brasileiros não eram responsáveis pelas dificuldades enfrentadas pela indústria norte-americana. A esperança, portanto, era que, fora da aliança, o Brasil conseguisse que a Casa Branca retirasse os produtos nacionais da lista dos itens sobretaxados. Mas com o anúncio desta semana, em Washington, de que o aço nacional continuará sofrendo com a altas tarifas, o Itamaraty intensificou conversas para se juntar ao grupo liderado por Bruxelas. Segundo diplomatas brasileiros, a decisão de se juntar com os demais países deve ocorrer no início da semana que vem, em Genebra. Duas frentesApesar de estudar uma aliança com a UE, o Brasil também move um processo contra as barreiras de Bruxelas ao aço nacional. Os europeus estabeleceram tarifas suplementares à importação de produtos siderúrgicos, temendo que as mercadorias que não conseguissem entrar nos Estados Unidos fossem desviadas para a Europa. "Não queremos ser invadidos pelo aço excedente", justifica um diplomata europeu. O Itamaraty, porém, alega que a sobretaxa não respeita as regras da OMC e pede que a barreira seja removida.

Agencia Estado,

12 de julho de 2002 | 14h44

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