''Brasil poderia aproveitar melhor o investimento''

Especialista avalia que País deveria se esforçar em atrair recursos para os setores mais necessitados, como o fármaco-químico

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

Para o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o governo deveria fazer um esforço de promoção e atração de investimentos para setores onde há as maiores carências. Como o senhor avalia o ingresso de investimentos externos no País em maio?Surpreendente. A meu ver, é um indicador das oportunidades que a economia brasileira oferece e se evidenciaram na crise. Na crise, os investidores produtivos, que necessariamente olham o longo prazo, estão preferindo economias com o perfil da brasileira, que tem um grande mercado interno, tradição de recepção de investimento externo e será uma das primeiras a sair da crise.Qual a tendência para os próximos meses?Minha projeção pessoal é de que o número do ano ficará entre US$ 25 bilhões e US$ 28 bilhões. Se comparado com 2008, vai representar uma queda, porque tivemos um recorde histórico de US$ 45 bilhões. Agora, tendo em vista que estamos no meio da maior crise capitalista dos últimos 70 anos, não deixa de ser um trunfo a economia brasileira receber investimentos de tal ordem.O País tem aproveitado bem essa capacidade de atrair investimentos?Poderia aproveitar melhor, no sentido de atrair investimentos em setores onde temos debilidade. Temos, por exemplo, carências de infraestrutura e falta de capacidade produtiva em alguns setores industriais, como o de componentes eletrônicos, o farmacoquímico e alguns segmentos de máquinas e equipamentos.O que falta para isso ocorrer?Acho que falta ao Brasil dizer mais claramente ao investidor estrangeiro o que queremos dele. O País é atrativo, tem recebido um volume razoável de investimentos externos, mas usamos muito pouco isso como um fator de desenvolvimento. Os instrumentos para isso seriam as políticas de competitividade de uma forma ampla, ou seja, a política industrial, de inovação e de comércio exterior, e também um conhecimento maior das estratégias das grandes corporações globais.Por que esse conhecimento é importante?Hoje, atrair investimentos para algumas áreas significa fazer parte de cadeias produtivas globais. Em componentes eletrônicos, claramente o Brasil não faz parte desse jogo. E também não tem tecnologia para constituir uma empresa própria. É um exemplo óbvio de área onde deveria atrair fabricantes externos. Isso pressupõe uma negociação com as empresas estrangeiras já instaladas no País ou outras que ainda não estão aqui, mas que poderão vir. Para isso é importante estabelecer um canal de diálogo dentro do próprio governo, porque esse tema perpassa vários ministérios e órgãos.

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