Brasil poupa Argentina de críticas à OMC

Apesar de sofrer barreiras comerciais impostas pela Argentina e de estar sendo questionado na Organização Mundial do Comércio (OMC) por Buenos Aires, o Brasil tomou a decisão política de poupar o país vizinho de críticas na avaliação que a OMC realiza a cada quatro anos sobre a política comercial da Argentina. Nesta segunda, a entidade máxima do comércio iniciou três dias de avaliação das medidas impostas por Buenos Aires. Os argentinos sofreram críticas do Chile, México, Estados Unidos e Europa, além de receber um alerta por parte da própria OMC. Mesmo assim, o Brasil fez questão de não criticar o país. "Não lavamos roupa suja fora de casa", comentou um diplomata brasileiro que participou da avaliação. "O Brasil se comportou muito bem", comemorou um negociador argentino, ao final da reunião. A sabatina é uma das obrigações da OMC e inclui a avaliação de como cada país está implementando as regras do comércio internacional. O mecanismo ainda serve como oportunidade para que os países enviem questões ao país que está sendo sabatinado como forma de mostrar o descontentamento em relação a um comportamento ou para pressionar os governos a evitar barreiras. No caso dos argentinos, a OMC destacou que a recuperação da economia do país depois da crise do início da década pode não ser sustentável e que riscos ainda existem. O Brasil, porém, preferiu elogiar o crescimento da economia do país vizinho. Nas questões que enviou ao governo de Buenos Aires, o Brasil evitou qualquer referência a barreiras que hoje atrapalham o comércio bilateral. O governo também não enviou questões sobre práticas de antidumping da Argentina que estão afetando as exportações nacionais. Sem querer causar atrito, Brasília preferiu enviar apenas questões retóricas aos argentinos. Uma delas se refere ao futuro da Rodada Doha da OMC e sem fazer referência ao fato de que a Argentina não está de acordo com o Brasil sobre o nível de corte de tarifas de importação no setor industrial que poderá ocorrer nos próximos anos.Já o Chile foi duro contra Buenos Aires e criticou suas taxas de exportação. Os mexicanos também não deixaram a sabatina sem atacar as políticas argentinas. DisputaApesar de poupados, os argentinos não escondem que devem mesmo seguir com a disputa na OMC em relação à exportação ao Brasil da resina PET. Brasil e Argentina tentaram chegar a uma solução pacífica sobre o tema em uma reunião realizada na semana passada em Brasília. Mas o encontro não foi suficiente para aproximar as posições e a diplomacia brasileira já se prepara para ter de enfrentar Buenos Aires perante os árbitros internacionais da OMC.O encontro seria uma oportunidade para que o caso não necessitasse de uma intervenção de árbitros. Mas, no Itamaraty, a percepção é de que não há como evitar que isso ocorre.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.