Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Brasil precisa 'agir' logo, diz Durão Barroso

Presidente da Comissão Europeia alerta que demora para um acordo bilateral pode pôr em risco interesse europeu pelo mercado brasileiro

Antonio Pita, Idiana Tomazeli,Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2014 | 02h04

RIO - O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, afirmou ontem que o Brasil precisa agir "logo" para consolidar um acordo comercial com o bloco europeu.

Em tom de provocação, a autoridade máxima do órgão executivo da União Europeia (UE) destacou que "houve casos" nos quais não foi possível fechar acordos com vários países ao mesmo tempo e que a demora pode pôr em risco o interesse das economias europeias no mercado brasileiro, em função do acordo em gestação com os Estados Unidos.

Ainda assim, Durão Barroso avaliou que o País tem papel "essencial" nas parcerias com a Europa. Para ele, "parece absurdo" que o Brasil ainda não tenha concluído negociações bilaterais com a UE, quando o bloco já tem parcerias com economias menores, como Coreia do Sul, Cingapura, Colômbia, Peru e Equador. O assunto foi tratado em reuniões com a presidente Dilma Rousseff.

"Me parece um bocadinho absurdo que a UE tenha acordo de livre-comércio com o mundo inteiro menos com o Brasil. O Brasil é o ponto mais importante do Mercosul", afirmou Durão Barroso, em palestra na Fundação Getúlio Vargas, no Rio.

Mais tarde, em outro evento no Rio, o presidente da Comissão Europeia comparou as negociações entre Mercosul e UE com as conversas entre o bloco europeu e a Comunidade Andina, formada por Peru, Colômbia, Equador e Bolívia. "Só tivemos uma resposta positiva do lado da Colômbia e do Peru. A Bolívia e o Equador ficaram de fora, disseram que não estavam preparados. Agora, na semana passada, o Equador chegou a um acordo conosco", disse Durão Barroso.

União aduaneira. Apesar da provocação, o presidente da Comissão Europeia pareceu ignorar, em suas declarações, que o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, Venezuela, é uma união aduaneira, assim como a UE. Por suas regras, um país não pode fechar acordos bilaterais sem a participação dos demais. Há flexibilidade apenas para cada país adotar um cronograma de implementação da redução de tarifas.

Mauro Laviola, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, esclareceu ao Estado que a Comunidade Andina é uma área de livre-comércio, e não uma união aduaneira. Portanto, no casos dos países andinos, há mais flexibilidade para a negociação de acordos comerciais.

A prioridade para uma articulação integrada com os países latino-americanos é defendida pelo Brasil, mas as negociações estão paradas há 14 anos por divergências internas do Mercosul. Os europeus preferem acordos bilaterais, mas, ontem, Durão Barroso foi diplomático: "Gostaríamos de ter um acordo com o Mercosul no seu conjunto. Agora, compete aos países do Mercosul dizerem se sim, estão prontos para avançarem em conjunto". Para o presidente da AEB, José Augusto Castro, o fato de o Mercosul ser uma união aduaneira e de todas as decisões precisarem de unanimidade é um entrave. "A economia do Brasil é muito diferente", disse Castro, completando que seria melhor se a Venezuela não estivesse no bloco.

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