Márcio Fernandes/ Estadão
Navio de carga; 'Aumentar a corrente de comércio é algo que virá com amplos acordos comerciais que permitam que o fluxo de comércio se intensifique', diz Vale Márcio Fernandes/ Estadão

Brasil precisa aumentar corrente de comércio em 2022; leia análise de Sergio Vale

'Exportar mais é apenas uma parte da equação', escreve o economista-chefe da MB Associados

Sergio Vale*, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2022 | 19h27

O ano de 2021 para o setor externo foi bastante positivo. Apesar da quebra de safra que se viu no agro, as exportações do setor foram muito favoráveis, o mesmo valendo para a indústria extrativa. O resultado poderia ter sido ainda melhor, como se esperava no começo do ano, salvo os números fortes que vieram das importações com a recuperação da economia. Não era incomum ouvirmos projeções de balança entre US$ 80 e 100 bilhões no começo do ano passado.

Para 2022, o cenário tende a voltar a uma expectativa mais positiva novamente. Com forte recuperação da produção agro, câmbio ainda muito favorável e preços de commodities ainda elevados, o saldo da balança comercial pode ficar na casa dos US$ 80 bilhões. Especialmente pela fraqueza esperada das importações, com crescimento doméstico mais fraco e câmbio elevado.

Mas o que ainda salta aos olhos na balança comercial é a baixa corrente de comércio. A soma das importações e exportações sobre o PIB em 2021 alcançou parcos 31%, número dentre os mais baixos comparado com outros mercados emergentes e ainda mais distante comparado com os países desenvolvidos.

Exportar mais é apenas uma parte da equação. Aumentar a corrente de comércio é algo que virá com amplos acordos comerciais que permitam que o fluxo de comércio se intensifique. Isso será essencial se quisermos aumentar a competitividade da indústria. Defender o excessivo grau de protecionismo que o país enfrenta no setor até hoje é se dizer responsável importante pelo baixo nível de produtividade da economia.

Que em 2022 o governo continue costurando acordos comerciais com muito mais países e siga em negociação para destravar o da União Europeia. Esse acordo seria um marco importante se quisermos ampliar nossa capacidade comercial.

* Economista-chefe da MB Associados

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Balança comercial fecha 2021 com resultado positivo de US$ 61 bilhões, recorde histórico

O resultado é o menor para o mês desde 2015, segundo a Secretaria de Comércio Exterior; no ano, o superávit é de US$ 58,579 bilhões

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 15h35
Atualizado 03 de novembro de 2021 | 16h35

BRASÍLIA - Com as exportações crescendo em ritmo mais lento do que as importações, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2 bilhões em outubro, o menor resultado para o mês desde 2015, informou nesta quarta-feira, 3, a Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia.

O superávit em outubro ficou 54,5% menor do que o registrado em outubro de 2020, quando alcançou US$ 4,4 bilhões. 

No mês passado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) avançou 39,3%. As exportações somaram US$ 22,520 bilhões, com alta de 27,6%, e as importações chegaram a US$ 20,516 bilhões, com avanço de 54,9%.

A desaceleração no crescimento das exportações em outubro foi influenciada pelo recuo de preços do minério de ferro, pelo veto à carne brasileira pela China após o registro de dois casos de doença da vaca louca, e pelos embarques menores de produtos como milho e café por conta da quebra de safra registrada neste ano por questões climáticas.   

Segundo o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, houve redução de 90% no volume embarcado de carne bovina para a China e uma queda de 38,5% nas exportações totais do produto. Por outro lado, houve alta nas vendas de soja (36% no volume). 

Já  a alta nas importações brasileiras ocorrida em outubro se deu, principalmente, pelo aumento do preço dos produtos comprados do exterior. No mês passado, o preço dos bens importados subiu 23,5% em relação a outubro do ano passado, enquanto o volume cresceu 19,6%. 

Segundo Brandão, isso ocorre por fatores sazonais, já que, em outubro, intensificam-se as encomendas para o fim do ano. “Até o mês passado, o volume crescia mais que o preço. Outubro foi o contrário. É natural com o aumento do consumo, retomada da economia, famílias consumindo mais bens industrializados e o aumento de commodities e insumos para a produção”, completou. As importações crescem principalmente da China (54,3%), Estados Unidos (65,7%) e Argentina (50,7%). 

De janeiro a outubro, a balança comercial acumula superávit de US$ 58,579 bilhões, 29,6% maior do que no mesmo período do ano passado. Houve um aumento de 36,0 % nas exportações e de 38,3% nas importações do período.

Em outubro, houve crescimento de US$ 20,85 milhões US$ 27,09 milhões ( 19,4%) em agropecuária; crescimento de US$ 90,18 milhões ( 40,5%) em indústria extrativa e crescimento de US$ 125,98 milhões ( 24,4%) em produtos da indústria de transformação.

Nas importações, houve crescimento de US$ 7,9 milhões ( 45,1%) em agropecuária; crescimento de US$ 26,69 milhões ( 141,7%) em indústria extrativa e crescimento de US$ 317,41 milhões ( 51,4%) em produtos da indústria de transformação. 

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