Brasil precisa crescer para ser respeitado pelos EUA, diz AEB

As poucas concessões na área agrícola da lista inicial de ofertas dos Estados Unidos apresentada hoje pelo representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, mostram que o Brasil não é respeitado pelos EUA. A avaliação é do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira. Segundo comunicado divulgado hoje pelo USTR, equivalente ao ministério de comércio exterior, os EUA ofertam liberar a tarifa imediata de 56% das importações agrícolas assim que o bloco entrar em vigor, possivelmente em 2005. Mas a oferta não toca na eliminação de barreiras não-tarifárias, nem na redução de subsídios à produção agrícola, pontos fundamentais para o Brasil. O presidente da AEB critica a tradicional posição norte-americana, de querer abrir o mercado de outros países ? na Alca, o Brasil é o principal mercado ? para bens, serviços, tecnologia e investimentos, sem dar nada em troca. Mas também atribui boa parte desse comportamento ao Brasil. "Estamos querendo abrir uma negociação poderosa, mas não temos cacife para enfrentar o poder norte-americano", diz Fonseca Moreira.Para o executivo, o País precisaria voltar a crescer a taxas médias de 6% ao ano para ter algum peso econômico e ser respeitado no Exterior. "Caso contrário, dificilmente teremos respeito", afirma. Fonseca Moreira acredita que Brasil poderia ser um país de primeiro mundo. Mas, segundo seu diagnóstico, os governos abandonaram todas as estratégias que poderiam gerar desenvolvimento, como investimento em educação e tecnologia. Além disso, foi criada uma burocracia enorme, com exigências de papéis e taxas, e uma fiscalização corrupta, que só fizeram impedir os avanços. "O poder público no Brasil não acredita na produção", diz.Segundo ele, a oferta dos Estados Unidos de eliminar as cotas e tarifas para importação de têxteis na Alca cinco anos a partir da entrada em vigor do acordo não é uma concessão de peso. Para o presidente da AEB, o setor têxtil norte-americano já está sucateado, inundado por produtos de países asiáticos, sobretudo da China. "Eles não vão perder nem ganhar nada com essa oferta", diz.Um outro ponto que os EUA passaram por cima em sua oferta é o fato de que todos os países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) se comprometeram, por meio do acordo de têxteis, a eliminar cotas e tarifas até 2005. "Qual o sentido em ofertar para os negociadores da Alca uma abertura em cinco anos se, pelas regras da OMC, o setor será liberalizado muito antes?", questiona. "Os EUA não dão bola para nada que não interesse a eles."

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