Brasil precisa de equilíbrio maior entre política monetária e fiscal, diz S&P

Para diretora da agência, esse equilíbrio deve ser amparado pelo lado estrutural, com avanços, por exemplo, na reforma da Previdência  

Luciana Antonello Xavier, correspondente da Agência Estado,

14 de dezembro de 2011 | 13h16

NOVA YORK - O Brasil precisa atingir um equilíbrio maior entre as políticas fiscal e monetária nos próximos anos, avalia a diretora de ratings soberanos da agência de classificação de risco Standard & Poor's, Lisa Schineller. "O governo sinalizou que quer segurar a corda no lado fiscal para que possam ser mais agressivos no lado monetário para reduzir a Selic mais significativamente com o passar do tempo", disse, em entrevista exclusiva à Agência Estado, em Wall Street.

"Eu acrescentaria que um equilíbrio mais saudável das políticas monetária e fiscal teria um efeito importante para o Brasil. Não acho que um ano na linha irá fazer isso. Em termos de mudanças de políticas significativas, pode levar anos", acrescentou. Schineller explica que esse equilíbrio deve ser amparado pelo lado estrutural, com avanços, por exemplo, na reforma da Previdência "e o que mais pudesse vir para sinalizar uma dinâmica fiscal mais saudável no médio prazo".

A diretora acredita que o superávit primário deve ficar ao redor da meta de 3,1% este ano e no próximo, mas adverte que "não será uma tarefa fácil", tendo em vista o compromisso do governo com investimentos e a possibilidade de uma arrecadação no ano que vem não tão forte como em 2011.

Schineller disse que uma redução na meta para 2012 dependeria do "contexto externo e local". Ela frisou que, caso isso fosse feito, seria importante o governo deixar claro que não está perdendo a direção no lado fiscal. "Depende de como isso será comunicado. No sentido de que seria importante uma sinalização ao mercado sobre o motivo de estarem fazendo isso, por quanto tempo eles pretendem manter essa meta e se pode haver um pacote de medidas alternativas que indiquem que o governo segue querendo fortalecer suas contas fiscais mais no médio prazo", explicou.

Para Schineller, o governo de Dilma Rousseff tem dado importantes demonstrações neste ano do seu compromisso no lado fiscal. "Temos visto este governo deixar mais claras suas metas em comparação ao final do governo Lula", disse. "Nós vimos nos dez primeiros meses do ano um desempenho mais forte no lado fiscal versus os anos anteriores e o governo continua a reiterar a meta de superávit primário de 3,1%."

Investimentos

Diante da necessidade de segurar "a corda" na parte fiscal, Schineller avalia que o governo terá que contar com o setor privado para avançar nos investimentos no País em 2012. "Equilibrar os investimentos seguramente será um desafio em 2012. Será preciso mais investimentos privados para os Jogos Olímpicos, Copa do Mundo e etc.", comentou.

Logo, afirma Schineller, o País terá de continuar a avançar nas concessões dos aeroportos e a trabalhar com o setor privado. "É certamente um modo de fazer a combinação entre gerenciar a parte fiscal e, ao mesmo tempo, fornecer investimentos. O governo começou a se mover nas concessões de aeroportos e isso é um sinal positivo. Espero que ele continue esse movimento".

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