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Brasil precisa de nova refinaria, dizem especialistas

A balança comercial brasileira poderia ter US$ 1 bilhão a mais se o País tivesse capacidade para refinar toda a sua produção de petróleo. Atualmente, a Petrobras exporta 248 mil barris de petróleo por dia, a um preço médio de US$ 17, ou US$ 11 a menos do que o preço do barril de derivados que é importado pelo Brasil hoje. "O País caminha rumo ao subdesenvolvimento pela incapacidade de agregar maior valor ao produto, exportando mais riqueza bruta e importando riquezas já transformadas", afirmou o ex-secretário de energia, indústria naval e petróleo do Rio, Wagner Victer.Para alguns especialistas, os números usados por Victer são exagerados, mas todos concordam que a construção de uma nova refinaria no País é necessária. Para o ex-presidente da Petrobras e presidente do Conselho Empresarial de Energia da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Armando Guedes Coelho, o assunto deve ser tratado como uma emergência pelo novo governo. Ele disse que é imprescindível evitar que aconteça com o petróleo o que aconteceu com a energia elétrica. "Estamos à beira de um apagão no diesel e no GLP e medidas urgentes tem que ser tomadas em pelo menos dois anos".O diretor da Coordenação de Pós Graduação em Programas de Engenharia da Univerdidade Federal do Rio (Coppe), Luiz Pinguelli Rosa, coordenador do programa de energia do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, diz que a definição das regras para a área de refino estão em aberto no novo governo. "É desejável que sejam atraídos investimentos para solucionar este impasse de uma nova refinaria. O novo governo tem interesse e fará o possível para atrair estes investimentos, mas se não houverem interessados, o governo faz a obra", disse Pinguelli, frisando que não se pronunciava em nome do novo governo.O diretor-gerente do Refino da Petrobras, Eider Prudente de Aquino, admite a necessidade de uma nova refinaria no País, mas diz que não existe qualquer definição dentro da estatal sobre a possibilidade de participar deste investimento. "É questão de rentabilidade. Se houver boa oportunidade, a empresa entra no negócio de maneira minoritária ou até mesmo majoritária."Para o mercado, porém, a questão não é tão simples. "Qual será a política de preços dos combustíveis? Como estruturar parcerias para investir se não há garantias de retorno?", questionou o vice-presidente de petróleo e derivados da texana El Paso, Maurício Ferreira. Ele contou que a empresa esteve prestes a fazer uma parceria com a Petrobras para ampliação da Refinaria de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, mas as incertezas atrapalharam o negócio.O analista de petróleo do Unibanco Research, Cleomar Parisi, lembrou ainda o baixo retorno financeiro da atividade de refino atualmente. "Várias grandes companhias disseram que o refino foi uma das causas da queda no lucro no último trimestre", disse, em um seminário sobre o tema no Rio. No evento, um ponto foi consenso - nenhuma refinaria nova será construída no Brasil sem o apoio do governo, por meio de incentivos fiscais, e da Petrobras, com uma participação no capital, nem que seja minoritária.

Agencia Estado,

11 de novembro de 2002 | 19h18

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