Brasil precisa evitar desindustrialização, diz Coutinho

Presidente do BNDES alerta para esvaziamento das cadeias produtivas devido à ‘explosão de importados’ 

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

22 de outubro de 2010 | 14h21

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que num contexto de guerra cambial internacional o País precisa redobrar a atenção para "evitar um movimento de desindustrialização". Durante palestra na Fiesp, ele disse "não podemos jogar a toalha e aceitar o esvaziamento de cadeias produtivas, aceitar que uma explosão de importados, de componentes, esvazie por dentro, especialmente na indústria de bens de capital, indústria mecânica, as nossas cadeias industriais. É preciso proteger o valor agregado".

Coutinho destacou que "estão aparecendo indícios de importações crescendo de forma explosiva com indícios de concorrência desleal" e citou como exemplo alguns segmentos fabricantes de equipamentos referindo-se em especial ao ingresso no País de componentes industriais. "Isso requer medidas de defesa comercial típicas. Agora a iniciativa tem de partir do setor privado", disse.

Ainda de acordo com o presidente do BNDES, as empresas prejudicadas pela concorrência desleal devem acionar mecanismos de defesa antidumping previstos pela Organização Mundial do Comércio (OMC). "Não podemos ser ingênuos. Temos de proteger minimamente a competitividade (das empresas) e as condições de emprego no Brasil", declarou após participar de evento na Fiesp sobre inovação produtiva.

Segundo ele, o Brasil não pode correr o risco de registrar déficits comerciais "tolos" de alguns setores produtivos, sem mencionar quais seriam esses setores. De acordo com o diretor da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, a balança comercial da indústria do País deve apresentar um déficit de US$ 59 bilhões em 2010, que subirá para US$ 80 bilhões no próximo ano.

'As autoridades estão empenhadas'

Coutinho afirmou ainda que o governo federal está dedicado em evitar que a valorização do real ante o dólar norte-americano cause danos à economia brasileira. "As autoridades estão empenhadas para mitigar a valorização do câmbio", comentou.

De acordo com dados disponíveis no site do BC, a taxa real do câmbio, deflacionada pelo IPCA e CPI dos Estados Unidos, apresentou uma apreciação de 31,38%, levando em consideração a base de comparação com junho de 1994. "Acho que a sociedade brasileira inteira está apoiando e compreende a relevância de evitar uma apreciação exagerada e prolongada da taxa de câmbio, que só vai trazer prejuízos para o emprego e o desenvolvimento do Brasil", afirmou.

Segundo Coutinho, a próxima reunião do G-20, que ocorrerá na Coreia do Sul, será muito importante para que os atuais desequilíbrios cambiais, registrados em nível global, comecem a ser corrigidos. Ele antecipou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem levar uma mensagem aos participantes do fórum.

De acordo com ele, a mensagem irá destacar ser necessário que as políticas cambiais sejam coordenadas a fim de evitar que as desvalorizações de moedas em série tragam efeitos negativos para o mundo inteiro. "É o mesmo que ocorre com o protecionismo (comercial)", ressaltou, observando que se todos os países fazem protecionismo, todo o mundo sai perdendo. Ele destacou que as autoridade do G-20 começam a compreender que a guerra cambial é nociva para todos e espera que os resultados da reunião em Seul expressem avanços na área cambial.

Texto atualizado às 15h30

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