Brasil precisa manter ajuste fiscal, diz FMI

Em relatório, economistas do fundo afirmam ainda que País precisa promover investimentos em infraestrutura para reduzir gargalos

Altamiro Silva Júnior, Correspondente de O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2015 | 08h40

NOVA YORK - O Brasil precisa manter o curso da consolidação fiscal, por causa do alto endividamento público e inflação elevada, além de promover investimentos em infraestrutura para reduzir gargalos que impedem um maior crescimento da economia, recomenda um relatório dos economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que será apresentado na reunião ministerial do G-20, grupo formado pelos países mais ricos do mundo, na Turquia, entre os próximos dias 9 e 10. O Fundo faz a mesma recomendação para outros emergentes, como África do Sul, Índia e Turquia.

No caso do Brasil, o documento alerta ainda para a necessidade de o país fazer reformas no mercado de trabalho e na educação para aumentar a produtividade. O FMI fala também da necessidade de o País facilitar o comércio externo e o investimento. Em conjunto, as reformas melhorariam o ambiente para os negócios, estimulando a confiança dos agentes. A previsão do FMI é que o Brasil cresça 0,3% este ano e 1% em 2016. Nos dois casos, o número é inferior à media da economia mundial (3,5% e 3,7%, respectivamente) e do G-20 (3,6% e 3,7%).

"Em muitos países emergentes, o espaço para adoção de políticas macroeconômicas para apoiar o crescimento permanece limitado", ressalta o relatório, que pede atenção e ação rápida dos governos do G-20 para aumentar os níveis de crescimento potencial dos países membros. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em comentários enviados junto com o relatório, fala da necessidade de um "empurrão decisivo" em direção a reformas estruturais.

Os técnicos do FMI mostram cautela ao avaliar o cenário para a economia mundial. "Enquanto o crescimento global receberá um estímulo da queda dos preços do petróleo, as projeções de crescimento foram revisadas para baixo", diz o documento, ressaltando que as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial foram cortadas em janeiro pelo FMI. Depois de crescer 3,3% em 2014, a previsão é que a alta fique em 3,5% este ano, abaixo dos 3,8% previstos em outubro, quando o FMI fez sua reunião anual em Washington.

Os EUA devem seguir como destaques de crescimento, enquanto as perspectivas para os países emergentes são mais fracas agora do que as feitas em outubro, ressalta o documento do FMI, citando a desaceleração da China e a revisão para baixo nas projeções da América Latina.

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