Brasil precisa melhorar produtividade, afirma economista do Banco Mundial

Brasil precisa melhorar produtividade, afirma economista do Banco Mundial

Para isso, Rafael Muñoz Moreno, economista sênior do Banco Mundial, aponta que país precisa enfrentar agenda de reformas

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 13h50

Economista sênior do Banco Mundial, Rafael Muñoz Moreno defendeu, em apresentação nesta sexta-feira, 16, que o País enfrente uma agenda para melhorar sua produtividade. “O problema não é o que o Brasil produz, mas como o faz”, afirmou, durante evento da Câmara de Comércio Espanhola em São Paulo.

Muñoz Moreno disse que há no Brasil uma grande quantidade de empresas que “continuam a existir, mesmo se não forem produtivas”, já que o mercado não consegue “disciplinar” esses casos. O principal problema, segundo ele, é a baixa produtividade e a modesta concorrência. “O Brasil tem um problema grande de concorrência interna”, ressaltou, citando como um dos motivos o mercado “muito fragmentado”.

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O economista lembrou que o Brasil ficou apenas em 125º lugar no ranking “Doing Business” da entidade, divulgado em outubro. Nesse contexto, ele argumentou pela necessidade de mais abertura comercial. Segundo estudo do Banco Mundial, em um cenário hipotético de redução de 50% das tarifas do Brasil com os países de fora do Mercosul e também de barreiras não tarifárias dentro do bloco, 6 milhões de pessoas poderiam sair da pobreza. Uma maior integração do mercado interno poderia trazer outras 3 milhões de pessoas para fora da linha de pobreza. “O impacto da abertura seria muito benéfico para os pobres”, ressaltou.

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Muñoz Moreno admitiu que as regiões mais ao sul do Brasil seriam as mais beneficiadas. Ainda assim, defendeu a mudança, já que, segundo ele, o País já gasta muito atualmente com incentivos, mas esses não trazem os impactos desejáveis. O dirigente do Banco Mundial defendeu também maior coordenação na política comercial, inclusive com o setor privado, mas sem que o governo permita que os agentes privados capturem essas reformas em benefício próprio. “É preciso se concentrar nos que mais precisam”, disse, citando a necessidade de melhora na formação da mão de obra, nos primeiros anos e também ao longo da vida laboral.

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O economista avaliou ainda que o quadro no Brasil, com distorções tributárias internas, dificuldades para pagar impostos, infraestrutura ruim e custos altos de insumos, dificulta que as empresas brasileiras participem de cadeias produtivas globais, o que limita seu crescimento.

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