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Brasil precisa repensar ensino técnico, diz Banco Mundial

Diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, participou de etapa dos Fóruns Estadão Brasil Competitivo sobre educação para o trabalho

Álvaro Campos , O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2015 | 13h15

SÃO PAULO - A diretora global de Educação do Banco Mundial e ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, afirmou nesta terça-feira, 1, que o ensino técnico profissional no Brasil precisar se repensar. 

"A demanda mundial por competências está migrando para competências não rotineiras. O processo de automatização é enorme, a robotização vai fazer com que muitas profissões desapareçam. Se o jovem não tiver capacidade de se reprogramar, as coisas vão se complicar", comentou durante mais uma etapa dos Fóruns Estadão Brasil Competitivo, cujo tema desta edição é Educação para o Trabalho.

Claudia mostrou uma posição um pouco mais otimista que os outros palestrantes. Ela comentou que a taxa de conclusão do ensino básico nos últimos 15 anos teve grandes avanços e que, mesmo em termos de qualidade, as coisas melhoraram. Ela citou o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, conhecido pela sigla PISA, que mostra que o Brasil foi o País que mais avançou em matemática de 2003 a 2012, apesar de ainda ter uma pontuação baixa, atrás de países como o México, por exemplo.

"O Brasil está muito imerso em uma crise, mas precisamos ver além. Às vezes nós pensamos muito na conjuntura e esquecemos que o País está construindo coisas para o futuro", comentou, citando como exemplo de caso de sucesso a feira World Skills, realizada no mês passado, na qual o Brasil foi o maior medalhista.

Entre os desafios pela frente, Claudia elencou a necessidade de criar programas ponte, em que os ingressantes de cursos profissionalizantes tenham aulas de reforços para competências básicas e sobre o mercado do trabalho. "Hoje, quase 60% dos operários qualificados não conseguem ler o manual de uma máquina", aponta. A representante do Banco Mundial também disse que é preciso fortalecer a governança das instituições e melhorar o processo de garantia de qualidade e fluxo de informação, além de cultivar vínculos com potenciais empregadores.

Já o professor da FGV André Portela Souza comentou que o Brasil passa por mudanças populacionais muito rápidas e que o bônus demográfico se reduzirá drasticamente em pouco tempo. Lembrando que crescimento econômico depende de aumento da produtividade, ele mencionou que o ponto-chave é combinar a distribuição de talentos com postos de trabalho. "Uma empresa não cria postos de trabalho altamente avançados em tecnologia se não tiver trabalhadores para aquela vaga. E uma pessoa não vai querer se formar se não tiver um posto de trabalho para aquela profissão", explicou.

O pesquisador citou estudos que mostram que só 22% dos egressos dos cursos profissionalizantes trabalham atualmente na área em que se formaram, sendo que 58% nunca sequer passaram por aquele setor. "Há um descasamento entre a estrutura de postos de trabalho e a oferta de educação profissionalizante. Uma das hipóteses é que o mercado de trabalho muda muito rápido, mas nós também podemos estar achando que a nossa jabuticaba é melhor que as outras", criticou, afirmando que é preciso flexibilizar a oferta de vagas. 

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