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Brasil precisa se preparar para concorrência internacional, diz Levy

Segundo ministro da Fazenda, acordo de cooperação com a OCDE torna necessário abrir o mercado para empresas estrangeiras

Lorenna Rodrigues, Victor Martins, O Estado de S. Paulo

05 Maio 2015 | 17h19


BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que a aproximação do Brasil com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) será importante para o País, mas que há a necessidade de abrir o mercado para empresas estrangeiras. "Temos que nos abrir para o exterior e estar preparados para a concorrência internacional", afirmou.

O ministro, que participou de reunião com o vice-presidente da República, Michel Temer, e líderes do governo, não comentou a fala de Temer sobre corte de gastos nas despesas do governo. Na segunda-feira, 4, o vice-presidente alertou que, quanto mais modificações forem feitas nas medidas de ajuste fiscal, maior será o corte de despesas necessário para equilibrar as contas do governo - um recado aos partidos da base aliada.

Segundo Levy, até meados do ano será assinado um acordo de cooperação com os países da organização, que se dedica ao estudo de políticas públicas. O tratado estabelecerá uma base jurídica para as contribuições financeiras aportadas pelo Brasil e sistematizará o relacionamento entre as duas partes. 

Entretanto, o País não se tornará membro da OCDE: "É um marco de trabalho, não é adesão total de membro. Por enquanto não estamos fazendo isso porque a gente não precisa neste momento", afirmou. "São ações que a gente já desenvolve com a OCDE, mas que faltava uma organização", finalizou Levy. 

Bolsa de Valores. Sobre o desempenho do mercado de capitais brasileiro, Levy destacou que a Bolsa vem tendo um desempenho mais favorável pelo aumento da confiança na economia brasileira: "É por isso que a gente tem de votar as medidas que estão no Congresso o mais rápido possível, porque elas criam um novo ambiente", afirmou. Em abril, a Bovespa teve o melhor mês desde janeiro de 2000 em matéria de entrada de recursos estrangeiros.

Na avaliação do ministro, "há uma convergência crescente" em torno das medidas de ajuste fiscal, entre elas a MP 665, que altera regras do seguro-desemprego e está na pauta da Câmara dos Deputados de hoje. "Tem tido um entendimento muito claro de que tem de ser mantida a integridade das medidas", afirmou. "É muito importante votar no Congresso o mais rápido possível o ajuste, para começarmos a medida além do ajuste."

O governo está numa semana decisiva para o ajuste, uma vez que está prevista a votação no plenário da Câmara da Medida Provisória 665, que altera benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego.

A MP 665 já tranca a pauta do Plenário da Casa e, junto com uma outra, a MP 664, faz parte do ajuste fiscal do governo, promovendo mudanças trabalhistas e previdenciárias. 

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