Brasil precisa tomar cuidado para não virar Argentina, diz Duhalde

O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, afirmou hoje, em entrevista à imprensa brasileira em Buenos Aires, que a Argentina ?está um degrau abaixo do Brasil?. Ele lembrou que o Brasil amenizou sua crise a partir de acordos com organismos financeiros, como o FMI, e que a blindagem financeira que o país desfruta hoje foi concedida à Argentina há dois anos. ?O Brasil deve ter muito cuidado para não passar o que está passando a Argentina?, afirmou. Ele disse também que as exigências que o FMI faz hoje à Argentina são muito maiores do que as que fazem ao Brasil. ?Há dois anos não tínhamos as exigências que hoje temos?, afirmou. ?O caso da Argentina deve abrir os olhos do Brasil para que não ocorra o que está ocorrendo conosco?. Ele considerou que o maior erro da Argentina foi o de vincular sua moeda ao dólar. "Poderíamos ter saído antes, ter uma desvalorização mais controlada, mas seguíamos insistindo, nos endividando cada vez mais", lamentou. Duhalde recorreu às palavras do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recentemente deu entrevista a uma TV argentina. "Acreditávamos que um peso era um dólar, e não era verdade", admitiu. Perguntado se se arrependia da desvalorização do peso, Duhalde respondeu: ?A desvalorização ocorreu antes do governo Rodriguez Saá, com a enorme depressão que ocorreu na economia. E o que deveria ter sido feito é o que os economistas chamavam de aterrissagem forçada, que poderia ter ocorrido em 1997 ou 98", lamentou. ?É claro que não convém desvalorizar, ainda mais quando se faz de maneira tão rápida. Mas não foi este governo que escolheu desvalorizar", disse. ?Tentamos manter a desvalorização a 1,40. É o mercado que busca o nível da economia, e não o Estado. Cada vez que há desvalorização, há inflação e o país empobrece", afirmou. O presidente estima que o ano que vem será "dramático? e que o próximo governo será de transição, devido à situação econômica. Ele ponderou que a Argentina não entende, às vezes, que vive uma situação de depressão. "Essa situação conhecíamos só do ponto de vista acadêmico. Mas há sinais de que alguns setores começam a reagir e isso é alentador. Não é suficiente para satisfazer os anseios populares, mas tem que começar assim. Não vemos outra forma". em entrevista à imprensa brasileira em Buenos Aires, destacou hoje a importância do Mercosul. ?O Mercosul é onde devemos conseguir nossos acordos. Esta é nossa realidade e a partir daí temos que nos fortalecer", afirmou. "A partir disso, podemos falar da Alca e da União Européia, como estamos fazendo. Mas desde que haja uma unificação do sul".

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