Brasil projeta construir mais 7 refinarias até 2030

Plano Nacional de Energia estima que a produção de gás natural no Brasil vai pular dos atuais 50 milhões para 250 milhões de metros cúbicos/dia até 2030

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 14h22

O governo brasileiro projeta que serão construídas mais sete refinarias no País até 2030, quando estima que o Brasil deverá produzir 3 milhões de barris de petróleo por dia, de acordo com o Plano Nacional de Energia (PNE). A conta inclui duas unidades já programadas pela Petrobras, uma em Pernambuco de 200 mil barris diários e uma petroquímica de 150 mil barris diários. Estão projetadas ainda três refinarias de petróleo com o perfil para diesel (66% da produção), com capacidade de 250 mil barris diários cada; uma planta petroquímica de 150 mil barris diários; e uma de 250 mil barris diários voltados para gasolina Premium. O plano, que foi aprovado na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) na véspera e cujos detalhes foram divulgados nesta terça-feira, 26, estima que a produção de gás natural no Brasil vai pular dos atuais 50 para 250 milhões de metros cúbicos/dia até 2030. "É uma posição extremamente conservadora, fizemos vários cenários, mas o que usamos é o de referência, o mais próximo do provável", explicou o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, responsável pela divulgação do estudo. Para que esses números possam ser obtidos, o governo projeta que deverão ser investidos US$ 804 bilhões no período proposto (até 2030), ou cerca de 2,2% do PIB (Produto Interno Bruto) por ano, considerando um crescimento do PIB de 4% ao ano. Desse total, 35% será destinado à energia elétrica; 49% em petróleo; gás natural receberá 12% do total e a cana-de-açúcar 4%. "É a primeira vez que o Brasil faz um estudo de planejamento integrado dos recursos energéticos", afirmou Tolmasquim. Menos lenha Tolmasquim destacou que a matriz energética brasileira, que na década de 1970 era limitada ao petróleo e à lenha, chegará em 2030 mais diversificada, com quatro fontes principais de energia - petróleo, gás, hidrelétricas e cana-de-açúcar - e a lenha perdendo espaço no cenário nacional. Segundo o PNE, a energia gerada por lenha, forte emissora de gás carbônico, cairá dos atuais 13% de peso na matriz energética para 6%. O petróleo, também forte emissor, terá a participação reduzida de 39% para 29%. O peso da energia hidráulica cairá de 15% para 14%. Já o gás natural aumentará de 9% para 16%; o carvão de 6% para 7%; o urânio de 1% para 3%; e da cana-de-açúcar de 14% para 18%. Etanol O PND estima que a área plantada de cana-de-açúcar no país passará dos 5,6 milhões de hectares de 2005 para 13,9 milhões de hectares, elevando a produção de 431 milhões de toneladas por ano de cana para 1,140 bilhão de toneladas. O álcool, por sua vez, subiria de uma produção de 16 bilhões de litros em 2005 para 66,6 bilhões de litros em 2030, com o consumo interno saindo de 14 para 54,7 bilhões de litros. "Desta maneira, o Brasil estaria exportando 12 bilhões de litros, contra os 2,5 bilhões de litros de 2005", afirmou o executivo. Sem índios O PNE trabalha com a perspectiva do parque de energia elétrico do Brasil elevar sua capacidade dos atuais 87 mil megawatts para 217 mil megawatts, para fazer frente ao crescimento da economia. Para chegar à essa meta, o país terá que construir não apenas as usinas hidrelétricas do Rio Madeira e de Belo Monte, todas com licenças ambientais ainda pendentes, como várias outras usinas hidrelétricas e termelétricas. Pelo PNE, as duas usinas de rio Madeira entrarão em 2012 (maio) e 2013 e Belo Monte em 2014. Pelo PNE, em 2030 o Brasil terá uma capacidade hidrelétrica instalada de 156,3 mil MW, ante os atuais 68,8 mil MW. Segundo Tolmasquim, das usinas hidrelétricas previstas para entrar em operação em 2020, uma boa parte encontra-se em áreas sem tribos indígenas ou que não integram regiões de conservação ambiental. "Estamos estudando oito bacias com menos entraves, com mais possibilidades (de conseguir licença ambiental) porque não tem interferência indígena ou área preservada", informou. Segundo ele, os estudos envolvem as bacias de Juruena, Aripuanã, Trombetas, Branco, Jari, Xingu, Tapajós e Sucundurí, todas no Norte do País.

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