Fabio Motta/Estadão - 2/5/2018
Fabio Motta/Estadão - 2/5/2018

'Brasil, que já foi exemplo em meio ambiente, voltou a ser pária internacional', diz Armínio Fraga

Ex-presidente do Banco Central foi um dos que assinaram a carta dirigida ao governo cobrando desmatamento zero no País

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2020 | 12h06

O ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga disse nesta quarta-feira, 15, que o Brasil, que já foi exemplo mundial em questões de meio ambiente voltou, no governo de Jair Bolsonaro, a ser um pária internacional. A afirmação foi feita durante uma live organizada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) da qual também participa o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan.

Os dois são signatários da carta de ex-BCs e ex-ministros da Fazenda que cobra do governo Jair Bolsonaro metas para desmatamento zero. De acordo com Armínio, Bolsonaro é refratário à ciência e isso, embora possa não parecer, acaba por afetar o "espírito animal" dos empresários e investidores.

Segundo ele, a covid-19 pegou o Brasil saindo de uma recessão e modelo errático de crescimento ao longo dos anos com o PIB vindo de uma queda de 7% e caminhando para uma ampliar a retração para cerca de 15% em cinco anos. “A covid-19 nos pegou saindo de uma enorme recessão com um modelo econômico errático, travado com queda de 7% do PIB”, disse.

Ele citou ainda a má distribuição de renda no Brasil, que acabou sendo acentuada pela pandemia. De acordo com o economista, apesar das políticas que levaram à redução da pobreza no País, 10% dos mais ricos no Brasil têm 43% de toda a renda nacional.

O tema do debate é "Futuros Possíveis", com foco na retomada econômica pós-pandemia. Nesse sentido, o ex-BC se mostra mais esperançoso. Afirma que o Brasil precisa de uma agenda de reformas e promover reforços da agenda fiscal que, na avaliação dele, foi destruída.

Armínio disse que, em relação à Amazônia, tem "muita gente boa" pensando na questão. Para ele, não basta, porém, levar a zero o desmatamento, porque a floresta não se regenera fácil, mas reflorestar, como o setor do agronegócio já vem fazendo.

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