Brasil quer alerta do G-20 contra pacotes protecionistas

O Brasil vai insistir para que o G-20 faça uma declaração alertando governos sobre os impactos distorcivos de pacotes de incentivos à economia. Em abril, as 20 maiores economias do mundo se reúnem em Londres para tentar traçar um plano para lidar com a pior crise em 60 anos. A ideia do Itamaraty é clara: pacotes para salvar empregos são justificados. Mas não podem ter efeitos colaterais e nem prejudicar trabalhadores de outros países. Ontem, a Comissão Europeia ainda afirmou que não hesitaria em abrir uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra Washington se o pacote da Casa Branca de ajuda ao setor automotivo for discriminatório à produção europeia.Na avaliação da diplomacia brasileira, há um consenso cada vez maior entre governos de que pacotes de socorro às indústrias tem o potencial de distorcer mercados. Há um mês, o Brasil levou a questão até a OMC e a entidade aceitou a tarefa de avaliar o impacto desses pacotes bilionários. Mas governos como o da França se recusam a aceitar a classificação dos pacotes como subsídios velados. O Brasil agora espera que o G-20 chegue a um texto de declaração que indique que as medidas podem ser prejudiciais para outros governos. O Itamaraty sabe das limitações e da oposição de governos como o da França e dos Estados Unidos em aceitar classificar os pacotes como subsídios. Na reunião do grupo, em 2008, o máximo que os países emergentes conseguiram foi uma declaração de que os países não adotariam novas barreiras ao comércio por 12 meses. A declaração não foi cumprida.Para abril, a estratégia não está voltada às tarifas, mas em convencer o G-20 para que lance um alerta. A meta seria conseguir uma declaração que advirta governos para que tenham cuidado na hora de elaborar os planos de ajuda a algum setor e que acabem tendo efeitos distorcivos. O tema foi alvo de uma reunião ontem entre alguns dos principais embaixadores na OMC, entre eles o brasileiro Roberto Azevedo. O esforço do Brasil contra as distorções não se limita aos pacotes de socorro à indústria dos países ricos. Nesta semana, o Brasil fez uma verdadeira ofensiva na OMC para pressionar pela abertura de mercados para as carnes nacionais. O Brasil se reuniu com a China, pressionando por maior acesso ao seu mercado.

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