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Brasil quer comando do banco do Brics para ganhar influência em emergentes

Governo briga nos bastidores para ter a primeira presidência do banco de desenvolvimento que será anunciado hoje

Lisandra Paraguassu, João Villaverde, Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2014 | 02h03

O Brasil briga nos bastidores para assumir a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, o "banco do Brics", mas o esforço do Itamaraty e do Ministério da Fazenda esbarrou em resistências de outros membros na tarde de ontem, durante o encontro de ministros de economia do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A decisão final sobre a sede e a primeira presidência da instituição será tomada hoje, após nova reunião dos ministros. Até a noite de ontem, o cenário estava favorável ao Brasil e à instalação da sede do banco em Xangai.

O interesse brasileiro sempre foi a direção do banco nesse momento inicial, quando as principais políticas e os processos de funcionamento e concessão de empréstimos serão definidos. O ministro da Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, chegou a brincar que a "sede seria Xangai - bem, ao menos essa é a minha expectativa". A estratégia brasileira era apoiar a China e receber em troca o apoio para a presidência. Uma fonte graduada do governo afirmou que dificilmente haveria uma mudança nesse arranjo, mas que a reunião "só termina quando termina".

Mais do que uma demonstração de prestígio, o interesse brasileiro na primeira presidência é a chance de encaminhar a linha de funcionamento da nova instituição e reforçar sua influência sobre países africanos e asiáticos. Apesar de responder a um conselho de administradores representando os acionistas - no caso, os países doadores -, o presidente poderá tomar a iniciativa e dar diretrizes ao Conselho que, claro, poderá ou não acatá-las.

Infraestrutura. Nessa fórmula, estará ao alcance do Brasil dar a linha inicial para as discussões que irão definir, por exemplo, que tipo de projetos o banco irá financiar. Os cinco países já decidiram que a linha macro do banco será a infraestrutura, voltada ao desenvolvimento sustentável, e não entrar em propostas de reformas econômicas ou reestruturações políticas.

Mas o escopo desse financiamento será decidido durante a primeira presidência. Também ficará a cargo do primeiro grupo diretivo indicar as formas de financiamento, a entrada de novos doadores, e como isso será feito, e quem poderá ser financiado além dos cinco países.

O poder político dessa primeira presidência dará ao Brasil uma chance maior de usar o que é diplomaticamente chamado de "soft power", a habilidade de negociar com diversos lados sem atrito. Daí a intenção do governo de indicar, pelo menos nesse primeiro momento, um servidor direto do Estado, possivelmente um diplomata ou membro da equipe econômica - ou até mesmo alguém que reúna ambas as características.

Nomes já estão sendo cogitados, mas são mantidos em sigilo para não parecer que o Brasil está contando antes do tempo com algo que só deve ser anunciado hoje pelos presidentes dos cinco países.

A presidência será rotativa e com mandato de cinco anos. Dentro do governo brasileiro chegou a haver um debate se seria melhor para o País pleitear ser o primeiro ou o segundo a ocupar o cargo. Apesar da criação ser oficializada hoje, a operação deve levar alguns anos para iniciar. É necessário passar pelos Congressos dos cinco países e, sabe-se pela experiência brasileira, que essa homologação pode demorar. Parte da equipe econômica defendia que seria melhor esperar o segundo mandato, quando o banco já estivesse operando e distribuindo recursos. Venceu, no entanto, a tese do Itamaraty, que vê a primeira presidência como uma grande oportunidade de conduzir as políticas iniciais da nova instituição.

Apesar dos pontos que ainda precisam ser acertados no funcionamento da nova instituição, alguns detalhes já estão acertados. O nome será New Development Bank (Novo Banco de Desenvolvimento). O slogan, "O Banco para Um Novo Desenvolvimento". A intenção é reforçar a ideia que a estrutura terá um novo modelo de empréstimo, para promover mudanças nos países em desenvolvimento, sem as travas impostas pelos bancos tradicionais, como o Banco Mundial.

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