Brasil quer extradição de Cacciola o mais rápido possível

Diplomata foi até Mônaco para apresentar pessoalmente o interesse do governo brasileiro na extradição

Vannildo Mendes, do Estadão,

17 de setembro de 2007 | 19h56

O ministro da Justiça, Tarso Genro, informou que o governo brasileiro enviou a diplomata Maria Laura da Rocha até Mônaco para apresentar pessoalmente o interesse do governo brasileiro na extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso no último sábado. Tarso está coordenando as providências para a transferência de Cacciola ao Brasil "o mais rápido possível". O ministro informou que o fato de o Brasil não ter um tratado de extradição com Mônaco não representa impedimento para a transferência do ex-banqueiro, condenado a 13 anos de prisão pela justiça brasileira por fraude financeira e gestão temerária do banco Marka.  Uma das alternativas para se conseguir a extradição será a assinatura de um acordo de reciprocidade entre Brasil e Mônaco. "O Governo brasileiro tem todo interesse na extradição e fará todos os esforços nesse sentido. Mas a decisão da Justiça de Mônaco é soberana", afirmou o ministro.  Segundo ele, foram realizados intensos contatos com as autoridades do principado de Mônaco neste fim de semana, nos quais ficou muito claro o interesse em atender o pleito brasileiro. O ministro também informou que está providenciando a tradução para o francês de todos os documentos e papéis relativos ao julgamento de Cacciola, com o objetivo de agilizar o processo. O Brasil tem vinte dias para apresentar toda a documentação às autoridades de Mônaco. Contudo, o ministro disse que pretende entregar toda a documentação até o final desta semana e até admitiu a possibilidade de viajar àquele país, caso sua presença tenha um peso positivo."Mas não tomarei nenhuma decisão precipitada para evitar qualquer interpretação espetaculosa". Tarso afirmou ainda que a extradição de Cacciola é perfeitamente coerente com a legislação de Mônaco. Ele espera que o processo seja julgado pela justiça daquele país na próxima semana. Entenda o caso O Banco Marka e oBanco Fontecindam foram socorridos pelo Banco Central um dia após a mudança do regime cambial, em 14 de janeiro de 1999. Na prática, o que ocorreu foi que os dois bancos haviam apostado que o real não seria desvalorizado e venderam vultosos contratos de dólar na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) em operações de derivativos. Quando a política cambial foi modificada e se adotou o regime de flutuação do dólar, os bancos constataram que haviam apostado no 'perdedor' e, assim, ficaram impossibilitados de cumprir os contratos. Foram salvos, então, pelo Banco Central, que lhes vendeu dólares a R$ 1,27 e a R$ 1,32,respectivamente, quando a cotação estava em R$ 1,55, em quantidades suficientes para que honrassem seus compromissos.  Salvatore Cacciola, presidente do Banco Marka, havia sido condenado a 13 anos de prisão por desvio de dinheiro público e gestão fraudulenta de instituição financeira. Ele estava foragido há sete anos e foi preso pela Interpol em Mônaco, no domingo.

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