Brasil quer garantias para negócios da Petrobras na Bolívia

O governo brasileiro está empenhado no sucesso da Bolívia mas quer garantias para os negócios da Petrobras naquele país, segundo afirmou nesta segunda-feira o assessor para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "Nós estamos firmemente empenhados em que o governo de Evo Morales hesite por várias razões: primeiro porque consideramos que é um fato político extremamente importante que um representante da Bolívia profunda tenha chegado à Presidência e que possa demonstrar que tem capacidade e qualidade para isso", explicou o assessor. Segundo, continuou, "que a Bolívia possa exercer sua soberania plena e dê garantias plenas para os negócios de maneira geral".Nesse sentido, Garcia afirmou que o Brasil não teme que a Petrobras não seja indenizada pelas perdas na Bolívia. "Evidentemente que será indenizada, se não, estaríamos assistindo A uma expropriação e não A nacionalização", ressaltou. Ele opinou ainda que "essa indenização tem que ser feita com amplas garantias", inclusive com "auditorias acordadas pelas partes, e já estamos conversando sobre isso com o governo da Bolívia".Indagado se o governo brasileiro teme que Morales tome uma decisão similar à da nacionalização do gás e do petróleo para os produtores de soja brasileiros na Bolívia, Garcia disse que a preocupação existe sobre a forma das possíveis medidas porque estas poderiam afastar os investimentos daquele país. "Se as coisas forem feitas de forma meio precipitada, ao arrepio da lei, desrespeitando contratos, isso vai implicar concretamente em que os investimentos podem não fluir mais para a Bolívia e ela sofra uma crise de credibilidade, que nós acreditamos que o governo Evo não merece, pelo contrário", afirmou .Única preocupaçãoSegundo ele, "essa é a única preocupação do Brasil", embora "evidentemente o País tenha interesses em defender os empresários brasileiros no exterior porque uma das conseqüências positivas das políticas do presidente Lula é a internacionalização de muitas empresas brasileiras e que ganharam peso muito grande, e na Argentina isso é visível". O assessor destacou que essa expansão "ajuda no processo de integração, mas ela só se viabilizará se tivermos um cenário jurídico favorável em cada um desses países".

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