Brasil quer incluir etanol em acordo final da Rodada Doha

Enquanto País deixa claro que produto tem que entrar em liberalização, EUA recusam redução de tarifa

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

21 de julho de 2008 | 17h58

O governo brasileiro exige que o etanol faça parte de uma solução final na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e chega a ameaçar abrir uma guerra nos tribunais internacionais. Mas, nesta segunda-feira, 21, os Estados Unidos se recusaram a aceitar uma redução de sua tarifa de importação e alertaram que esse não é o momento de tratar do assunto. A OMC iniciou oficialmente seu trabalhos para tentar concluir sete anos de negociações, em um clima de desconfianças e pessimismo.  Veja também:Primeiro dia de negociação na OMC foi inútil, diz AmorimRodada Doha: entenda o que está em jogo em GenebraEUA dizem ser 'bode expiatório' de alguns países em DohaBrasil classifica oferta da UE de reduzir tarifa de 'propaganda'UE propõe ampliar corte de tarifa agrícola para 60%Críticas de Amorim podem prejudicar negociações   O chanceler Celso Amorim, em seu primeiro encontro com os americanos, já deixou claro que o etanol terá de entrar em uma liberalização. O produto é o carro-chefe da diplomacia comercial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e hoje faz parte de todas as iniciativas diplomáticas do País.  "A tarifa aplicada sobre o etanol nos Estados Unidos é um absurdo. Espero que haja a inteligência suficiente para se evitar uma disputa e que o produto entre na agenda", afirmou Amorim. Para ele, a taxa de US$ 0,54 por galão é ilegal. "Queremos que o etanol também seja beneficiado pelo corte de tarifas", disse.  Fontes da Casa Branca informaram ao Estado que Washington quer evitar por enquanto o debate, alegando que o tema tiraria o foco da Rodada Doha. "Esse não é o momento de trazer o tema para a mesa", afirmou um negociador americano. Já os europeus querem a criação de uma cota para o etanol, como já vem anunciando há seis meses. "Se isso ocorrer, vamos pedir compensações altas", afirmou Amorim.

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