Brasil quer liberdade para competir livremente, diz Lula

O presidente da Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, hoje, na abertura da 17ª ExpoAbras, no Riocentro, a participação do Brasil e dos países em desenvolvimento na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O que aconteceu esta semana em Cancún é uma novidade extraordinária na nossa relação com o mundo desenvolvido". O presidente sublinhou a criação do grupo dos 21, segundo ele, "para fazer luta com os blocos desenvolvidos". Lula destacou que, ainda que o Brasil não tenha conseguido aprovar o que gostaria, também não foi permitido em Cancún que os Estados Unidos e a União Européia consolidassem os seus subsídios. Lula foi interrompido por aplausos ao dizer: "Não estamos pedindo privilégio ou favor mas igualdade em política de comércio exterior, liberdade de competirmos livremente". O presidente acrescentou que o País vai para a OMC ?fazer o restante da briga". Lula destacou o que chamou de "política externa arrojada no seu governo" e citou o aprofundamento das relações com a América do Sul, com outras regiões como a África e países árabes que visitará em dezembro. "Estamos recuperando o prestígio do Mercosul a passos largos", disse.Lula disse que estará em dezembro em países como a Arábia Saudita, Líbano, Líbia, Emirados Árabes e Egito com objetivo de aumentar o comércio com estes países e realizar no Brasil, em maio do próximo ano, uma reunião entre países árabes e sul-americanos. "Não estamos esperando que as pessoas nos descubram, mas temos a ousadia de descobrir mercados". Lula foi novamente aplaudido ao dizer que "ninguém no Brasil vai negociar de cabeça baixa ou de forma subalterna, mas de cabeça erguida e defendendo os interesses do País". Lula referiu-se ao episódio envolvendo o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer que no ano passado aceitou retirar o sapato quando viajava a trabalho em aeroporto nos Estados Unidos. "Ninguém respeita quem tira sapato em aeroporto. Nenhum ministro pode tirar o sapato em nenhum país do mundo, senão perde a moral", e acrescentou: "Não aceitamos a idéia de sermos tratados como país ou pessoas inferiores".

Agencia Estado,

15 de setembro de 2003 | 13h46

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