Brasil quer negociação. Mas barreira argentina vai valer

O Brasil aposta em uma saída negociada para contornar a decisão do governo argentino de restringir a importação de eletrodomésticos brasileiros. Foi o que anunciou o subsecretário-geral do Itamaraty para América do Sul, Luiz Filipe Macedo Soares, que já está em Puerto Iguazú para a Cúpula de chefes de Estado do Mercosul e países associados, que começa nesta quarta-feira. ´´Diante de obstáculos, a única solução é a negociação, a alternativa de guerra comercial não existe´´, disse.Segundo Macedo Soares, à medida que a economia argentina for se recuperando, o déficit comercial da Argentina com o Brasil tende a diminuir, reduzindo também as tensões comerciais. De qualquer maneira, a introdução de medidas que revogam licenças automáticas para a entrada de eletrodomésticos da linha branca (geladeira, fogões e máquinas de lavar) não deve entrar em vigor imediatamente.Declarações divergentesO ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, conversou nesta quarta-feira por telefone com o ministro da economia argentino, Roberto Lavagna, que explicou que as medidas precisam ser regulamentadas antes de sua implementação. Com isso, segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, o ministro argentino se comprometeu a retardar o processo de regulamentação para que representantes do setor privado dos dois países retomem as negociações.No entanto, segundo a imprensa argentina, a decisão de impor barreiras aos eletrodomésticos brasileiros foi ratificada pelo governo argentino após a emissão da nota do ministério brasileiro. Isso possibilitaria que as medidas entrem em vigor nesta quarta-feira, exatamente na data de abertura da cúpula do Mercosul.Lula e KirchnerCom relação à adoção de uma alíquota de 21% para as importações argentinas de televisores brasileiros fabricados na Zona Franca de Manaus, o Ministério do Desenvolvimento informou que está analisando a compatibilidade da medida Argentina com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Furlan ressaltou que os níveis de comércio entre os dois países neste ano ainda estão abaixo dos registrados em 2001, período anterior à crise sofrida pela Argentina.O ministro continuará as negociações sobre as barreiras com Lavagna nesta quarta-feira, e o assunto pode ser discutido pessoalmente pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner na cúpula de Puerto Iguazú. ?Não creio que esteja na pauta pré-definida, mas é possível que o tema venha a ser conversado entre os dois (Lula e Kirchner)?, disse o porta-voz da presidência, André Singer.AgendaO presidente Lula desembarcará em Puerto Iguazú, onde participará da 26ª Cúpula do Mercosul, às 17h50 (horário de Brasília) desta quarta-feira. Lula terá uma reunião privada com o presidente da Venezuela, Hugo Chaves, ainda nesta noite, às 20h30. Logo depois, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, vai oferecer um jantar em homenagem aos presidentes e ministros do Mercosul, países associados e convidados especiais.Amanhã, o presidente Lula vai tomar o café da manhã junto com os colegas às 8h30, seguida pela abertura da reunião de cúpula, às 10h. Ao meio-dia, os presidentes concederão entrevista coletiva à imprensa e, logo depois, participarão de um almoço de despedida. Às 14h30, o presidente Lula partirá para a cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra.

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