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Brasil quer negociar abertura da indústria

EUA cobram do País corte na tarifa de importação

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2022 | 00h00

O governo dos Estados Unidos insiste que o Brasil considere abrir seu mercado para bens industriais como forma de ganhar competitividade em sua economia. Em declaração ao Estado, um dos principais articuladores da política comercial da Casa Branca, o embaixador Peter Allgeier, defendeu que Brasília dê sinais de flexibilidade. O Brasil não descarta repensar sua posição na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Claro que estamos dispostos a negociar. Por isso estamos aqui", afirmou o embaixador do Brasil na OMC, Clodoaldo Hugueney. Nesta semana, o processo da Rodada Doha ganhou fôlego após os americanos anunciarem estar dispostos a cortar os subsídios dentro dos valores propostos pela OMC. Pela oferta da entidade, o teto para os subsídios deve ficar entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões por ano. Os americanos insistiam no limite de US$ 22,5 bilhões. "Pela primeira vez em dois anos, sinto que há uma negociação de verdade ocorrendo", afirmou Crawford Falconer, mediador dos debates agrícolas na OMC. Americanos e europeus esperam que o Brasil dê o mesmo sinal no setor industrial. Para analistas em Genebra, a pressão agora está nos países emergentes. "Há espaço na economia brasileira para cortes. Seria até de interesse de vários setores que isso ocorresse, já que facilitaria a importação de certos bens que poderiam aumentar a competitividade da indústria", acredita Allgeier. Para os americanos, o corte de tarifas de importação deve ser de pelo menos 66%. O Brasil defende, no máximo, 50%. O tema será um dos pontos principais da conversa entre os presidentes Luis Inácio Lula da Silva e George W. Bush, na segunda-feira, em Nova York. O Brasil ainda precisa coordenar suas posições com o Mercosul, que tem tarifa de importação comum. Hugueney confirmou que está discutindo o assunto com os países do bloco. Diplomatas do Paraguai indicam que um dos problemas será a resistência da Argentina em aceitar a flexibilização. Enquanto o entusiasmo volta a marcar o discurso de alguns diplomatas, outros dizem que a oferta americana não passa de jogada. "Os EUA estão sendo ambíguos. Deram declarações, mas não detalhes do que estão dispostos a conceder. Fazem isso para mostrar que estão engajados e pedir concessões dos demais países. Isso é má-fé", acusou o embaixador da Venezuela na OMC, Oscar Carvallo. "Essas posições dos EUA são velhas", disse o diplomata cubano na OMC, Jorge Ferrer. Em Washington, diplomatas confessaram a alguns jornalistas estrangeiros que a estratégia agora é colocar pressão sobre Brasil e Índia para tentar obter ganhos na área industrial.

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