Brasil quer novo acordo para compra de gás boliviano

O custo do gás natural vindo da Bolívia é um dos pontos que estão sendo revistos para que o Brasil feche novo acordo com aquele país para compra e venda do combustível. Segundo o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, apesar de "o atual nível de entendimento entre Brasil e Bolívia nunca ter sido tão bom como agora", o novo contrato só deve sair em 2004."Achamos justo o sentimento boliviano que busca valorizar o seu recurso natural, mas acreditamos que o custo do gás natural no início de sua cadeia, na Bolívia, está em um patamar muito elevado e isso se deve ao valor recebido pelos produtores bolivianos estabelecidos no acordo em vigor", disse ele em entrevista durante o lançamento de protótipo de ônibus movido à GNV (Gás Natural Veicular), no Rio de Janeiro.De acordo com Sauer, se mantido o atual acordo, será difícil aumentar o consumo do combustível no País. "Expusemos a intenção do Brasil em aumentar o consumo, e com isso a Bolívia sairia ganhando em royalties e taxas governamentais sobre o aumento", explicou.A estatal aumentou sua demanda por gás boliviano em outubro, para "demonstrar boa-vontade para com as negociações", afirma o diretor da Petrobras. Segundo ele, o volume demandado pelo Brasil de gás natural da Bolívia aumentou de 14 milhões de metros cúbicos por dia para os atuais 19 milhões de metros cúbicos por dia. Pela cláusula take or pay, o Brasil deveria estar pagando por um equivalente a 24 milhões de metros cúbicos por dia.Com o plano de massificação do uso de gás natural que está sendo elaborado pela Petrobras, o consumo deve aumentar nos próximos anos. "O próprio plano estratégico da Petrobras, que está sendo revisto agora, estará dando maior destaque para o gás natural por conta das novas reservas descobertas", disse Sauer.Há possibilidade que o presidente da estatal, José Eduardo Dutra, visite a Bolívia na próxima semana, na tentativa de avançar nas negociações.

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