Brasil quer parceria com EUA para exportar álcool

O Brasil quer ser parceiro dos Estados Unidos no processo de substituição do aditivo MTBE (éter petroquímico) pelo álcool na gasolina. A partir de janeiro de 2003, o Estado da Califórnia, que tem uma frota de veículos superior à do Brasil, deixa de usar o MTBE e passa a adicionar álcool à gasolina, necessitando de volumes da ordem de 2,2 bilhões a 2,7 bilhões de litros ao ano.Como os custos de produzir álcool nos EUA (a partir de milho) são mais altos do que o álcool obtido a partir da cana de açúcar, no Brasil, a estratégia dos produtores brasileiros não é competir, mas trabalhar em parceria para suprir o mercado norte-americano enquanto o país não atingir um patamar de produção suficiente para atender à demanda que se criará.Segundo Alfred Szwarc, consultor técnico da Única (União da Agroindústria Sucro-alcooleira de SP), a expectativa é de que a substituição do MTBE pelo álcool, menos poluente, aconteça em todo o país, cuja frota é de 170 milhões de veículos, ante 20 milhões no Brasil. O Brasil é o primeiro produtor mundial de álcool, produzindo uma média de 12 bilhões de litros ao ano, mas com capacidade para 16 bilhões.Nos EUA, a produção vem crescendo ano a ano. Em 1999, foram 5,6 bilhões de litros; em 2000, 6,2 bilhões/l; em 2001, 6,7 bilhões/l. Até 2010, querem chegar a 19 bilhões de litros, contando com a construção de 20 novas unidades de produção de etanol.Com o uso do álcool no mercado norte-americano, o Brasil considera que será possível impulsionar a formação de um mercado internacional de álcool, tornando-o uma espécie de commodity ambiental, descongestionando o mercado de açúcar, já que uma parte dos produtores se sentiria mais confiante para migrar do açúcar para o álcool.

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