Brasil quer priorizar negociação na OMC, diz chanceler alemão

O governo brasileiro está mais preocupado em destravar a pauta paralisada no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), do que em reativar as negociações entre a União Européia e Mercosul, interrompidas desde outubro. Esta é a posição dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, ao ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, em encontro realizado na quinta-feira e relatado nesta sexta pelo próprio chanceler alemão. "Brasília reconhece as discussões da OMC com mais prioridade do que a negociação UE-Mercosul, embora eu ache que deveríamos avançar nas duas vias simultaneamente", afirmou Fischer, em claro tom de insatisfação, aos cerca de 100 empresários, durante almoço realizado no Clube Transatlântico, durante almoço da Câmara Brasil Alemanha de Comércio e Indústria, em São Paulo. O presidente do Fórum Empresarial Mercosul-UE, Ingo Plöger, lembrou que os negociadores dos dois blocos chegaram a um acordo em 90% das 9,6 mil categorias de produtos negociados ao longo desse ano e, na avaliação dele, seria um equívoco se o governo brasileiro focasse, no início de 2005, as negociações da OMC. O líder empresarial estima que, após a assinatura do acordo, o comercio bilateral dos dois blocos crescerá em US$ 3 bilhões, podendo atingir até US$ 10 bilhões em dez anos. "É preciso que a UE avance nas negociações do campo agrícola, principalmente em carnes e etanol", comentou.

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