Brasil quer tirar "até roupa íntima" da UE, diz França

A ministra francesa de Comércio Exterior, Christine Lagarde, disse hoje que o Brasil e outros países da Organização Mundial do Comércio (OMC) querem tirar da União Européia (UE) "até a roupa íntima".Lagarde reagiu assim, em entrevista coletiva, a perguntas sobre os pedidos com relação à agricultura do Brasil e outros membros da OMC, para que os países desenvolvidos ponham fim aos subsídios para a exportação de produtos agrícolas."Minha resposta é não", afirmou taxativa e denunciou que apesar da oferta agrícola apresentada pela UE, outros países "querem ainda mais concessões", não se dão por satisfeitos e, pelo contrário, "não apresentam nada em troca". "Querem tirar tudo de nós, até a roupa íntima", disse a ministra francesa.Dentro da UE, a França liderou os países que questionaram a atuação dos negociadores do bloco na OMC, os comissários de Comércio, Peter Mandelson, e de Agricultura, Mariann Fischer Boel, por considerar que estavam exagerando em suas ofertas agrícolas.Hoje, Lagarde e o ministro francês de Agricultura, Dominique Bussereau sustentaram que a UE já foi muito longe em suas propostas.No entanto, Lagarde insistiu em que os países da UE apoiaram "com firmeza" os negociadores para que defendam seus interesses na reunião ministerial da OMC que acontece nesta semana em Hong Kong.A última oferta da União coloca uma redução média de 46% de tarifas aos produtos agrícolas (60% em alguns produtos) e também um corte de 70% em subsídios que distorcem o comércio.A UE propõe o fim dos subsídios à exportação em todos os países desenvolvidos e é neste ponto da negociação agrícola que Brasil e outros países pediram a definição de uma data, o que provocou o comentário de Lagarde.A França continuará reivindicando que dentro da OMC haja movimentos em outros setores, como bens industriais e serviços, já que por enquanto somente a UE propôs uma oferta agrícola, sem obter nada em troca, afirmaram os ministros franceses."Não vemos nada (em referência à falta de movimentos de outras partes negociadoras) e queremos que seja equilibrada" a negociação da OMC e não somente agrícola, ressaltou Lagarde.

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