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Brasil recebeu US$ 2,4 bilhões após o impeachment

Para os economistas, o volume, que contabiliza investimentos e ganhos com comércio exterior, ainda não mostra virada

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2016 | 23h12

BRASÍLIA - Concluído o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, no fim de agosto, o País contabiliza em setembro, até o dia 16, a entrada líquida de US$ 2,39 bilhões. O número, divulgado pelo Banco Central, leva em conta a área comercial (exportações e importações) e a financeira (investimentos em ativos e produção).

Economistas do mercado financeiro afirmam, no entanto, que ainda é cedo para dizer que houve uma mudança de tendência, com o impeachment, no fluxo destinado ao País. Prova disso é que, no acumulado do ano até o dia 16, o Brasil segue contabilizando uma saída líquida expressiva de recursos, de US$ 7,83 bilhões. No mesmo período do ano passado, o cenário era melhor, com o País tendo recebido US$ 10,90 bilhões.

Por outro lado, os profissionais do mercado chamam a atenção para o fato de a área financeira ter voltado a apresentar resultados positivos. Entre 12 e 16 de setembro, o País recebeu US$ 909 milhões líquidos pela via financeira, na segunda semana consecutiva de resultado positivo. Entre 5 e 9 de agosto, a entrada pela porta financeira já havia sido positiva em US$ 651 milhões. No mês, atingem US$ 925 milhões.

“Até ficamos surpresos com a entrada registrada na semana passada pelo financeiro, porque esperávamos saídas”, comentou um profissional da mesa de câmbio de um grande banco, que prefere não se identificar. Segundo ele, porém, este resultado pode voltar a ser negativo nesta semana, porque ainda não há um movimento claro de busca, por parte dos estrangeiros, dos ativos brasileiros.

Na prática, ainda não se confirmou a expectativa de que, com o impeachment, o País receberia mais investimentos. “A conta financeira acabou contribuindo para que o fluxo total, na última semana, fosse novamente positivo. Mas o resultado não é tão expressivo e ainda não há elementos que levem a alguma conclusão sobre mudança de tendência”, confirmou o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria.

Pela via comercial, os resultados seguem favoráveis, apesar de o dólar estar em patamares mais baixos neste ano – o que, em tese, prejudica os exportadores. Em setembro até o dia 16, entraram líquidos no País US$ 1,468 bilhão, frutos de exportações de US$ 6,579 bilhões e importações de US$ 5,110 bilhões. Somente na semana passada, o País recebeu US$ 838 milhões líquidos pela área comercial.

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