DIDA SAMPAIO / ESTADÃO
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Brasil recebeu US$ 3,4 bilhões após estouro da crise política

Dados registrados pelo Banco Central se referem tanto a transações comerciais quanto a fluxos financeiros; avanço do dólar beneficia exportações

Fabrício de Castro, Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2017 | 13h48

BRASÍLIA - Nos dois dias imediatamente após o estouro da crise política, o Brasil recebeu um total de US$ 3,462 bilhões, conforme dados divulgados hoje pelo Banco Central. Os recursos entraram no País na quinta e na sexta-feira da semana passada, tanto pela via comercial quanto pela via financeira.

O movimento chama a atenção em um primeiro momento, já que a crise política, em tese, torna o País menos atrativo a investimentos diretos ou em carteira. No limite, as fortes variações cambiais também afetam a área comercial.

No entanto, o Brasil recebeu US$ 1,914 bilhão líquidos pela via financeira na quinta e na sexta-feira. Na área comercial, entraram no País US$ 1,548 bilhão.

Transações correntes têm melhor desempenho para abril desde 2007

Este fluxo foi mais forte justamente na quinta-feira, o primeiro dia em que houve reação do mercado às delações de executivos da JBS, que atingem o governo de Michel Temer. Na ocasião, o dólar disparou mais de 8% ante o real.

"É difícil definir precisamente o que está acontecendo num dia específico no mercado de câmbio. Há muitos participantes que têm posições opostas, que têm interesses opostos", disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, ao comentar os números. "Houve um aumento na taxa de câmbio (alta do dólar), e isso pode ser favorável ao exportador, para internalizar recursos", acrescentou.

Mesmo com alta do dólar, gasto de brasileiro no exterior sobe em abril

Rocha lembrou ainda que, no caso de Investimentos Diretos no País (IDP), a decisão de aportes costuma ser de longo prazo e não há mudanças de um dia para outro. "Não há impacto (da crise política) na entrada de investimentos diretos", disse. Segundo ele, a expectativa é de que o investimento direto continue "robusto" e financiando a conta corrente.

"Com o evento da semana passada, tivemos um aumento de incertezas. Mas a mensagem é que o BC atua para manter o bom funcionamento do mercado", disse ainda Rocha, em referência às operações com swaps realizadas pela instituição desde a última quinta-feira, para manter a liquidez no mercado cambial. 

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