Brasil recua e vai manter compra de gás boliviano

Lobão havia anunciado que Brasil já estava importando menos combustível

Leonardo Goy, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

Numa decisão surpreendente, o governo voltou atrás, ontem à noite, da decisão de reduzir de 30 milhões para 19 milhões de metros cúbicos por dia a importação de gás boliviano. O Brasil vai aumentar esse volume de compra já a partir de hoje e , na semana que vem, segundo o ministro de Minas e Energia Edison Lobão, a importação pode chegar a cerca de 24 milhões de metros cúbicos por dia.A decisão de comprar mais gás da Bolívia - em relação à redução iniciada em 1.º de janeiro - foi anunciada por Lobão após uma longa reunião com uma comitiva boliviana liderada pelo ministro do Planejamento, Carlos Villegas. Segundo Lobão, já a partir de hoje as importações deverão chegar aos 20 milhões de metros cúbicos. "Não é uma decisão política. É uma necessidade que se demonstrou com relatórios técnicos da Petrobrás e do Operador Nacional do Sistema Elétrico", sustentou o ministro. Horas antes do encontro com os bolivianos, ao sair de uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), Lobão havia confirmado a redução das importações de gás para 19 milhões de metros cúbicos diários. Ele disse que o Brasil não precisaria de mais gás do que isso, já que poderá dispensar a geração de energia térmica (com exceção de duas usinas no Rio) por alguns meses devido à boa situação dos reservatórios das hidrelétricas. O desligamento das térmicas foi oficializado pelo CMSE. Lobão afirmou que, pela manhã, quando havia dado a declaração, não se sabia da necessidade de utilizar ainda outras duas termoelétricas movidas a gás, informação que surgiu durante a tarde. As duas usinas são Araucária e Canoas, que vão consumir de 3 a 4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Segundo Lobão, elas serão acionadas para garantir a segurança energética de Santa Catarina após problemas com chuvas. Lobão fez questão de dizer que o "Brasil não está fazendo um favor à Bolívia" e afirmou que os consumidores de energia elétrica do Brasil não estão subsidiando a Bolívia. Ele afirmou, porém, que, no encontro, os bolivianos disseram que foram surpreendidos pela decisão e expuseram suas dificuldades com a diminuição das vendas. O corte para 19 milhões de metros cúbicos causaria uma redução de US$ 600 milhões nas receitas bolivianas com a exportação de gás. Lobão afirmou ainda que, a partir de abril, o preço do gás boliviano deverá ter uma redução para acompanhar o preço do petróleo. A revisão é contratual.

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