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Brasil reforça acordos bilateriais sem esperar avanço europeu

O secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mario Mugnaini, afirmou hoje à Agência Estado que o fracasso de Cancún serviu para o Brasil adotar uma política clara, seja no impasse das negociações com a União Européia (UE), seja pela própria dificuldade na formação da Alca "O Brasil escolheu o caminho de intensificar as relações latino-americanas e buscar outros parceiros comerciais, como acabamos de fazer com a África do Sul e a Índia".A dificuldade multilateral de Cancún mostrou efetivamente que as negociações biregionais podem ser o caminho para facilitar a longo prazo as rodadas multilaterais, observa Mugnaini. Por outro lado, indica que o governo brasileiro não está esperando grandes avanços na negociação Mercosul-UE, que ainda deve realizar uma reunião ministerial este semestre para "teoricamente" impulsionar as negociações.A grande dificuldade da UE em relação ao Mercosul é a abertura agrícola, observa Mugnaini. "Entendemos que a Europa não tem mandato para esta abertura e não tem condições de eliminar os subsídios, porque esse é um problema político interno. Portanto, sem essa capacidade de oferta, é provável que a negociação vá patinar", ressalta o secretário da Camex. Mugnaini reforçou ainda que o Brasil não abrirá o mercado industrial e de serviços "se não tiver certeza de ganhos na área agrícola". Segundo Mugnaini, enquanto as negociações multilaterais não tiverem o avanço esperado pelo País, "o governo brasileiro continuará pelo reforço de acordos bilaterais, porque o que interessa é acesso de mercado e implementação de comércio". Cancún serviu para constatar a capacidade de aglutinação que os países em desenvolvimento têm, avalia Mugnaini, tendo permitido aprofundar a Política Agrícola Comum (PAC), "porque os produtos que nos interessam não estão no pacote" e efetivamente, abriu uma porta ao Brasil, porque o País visualizou claramente sua política para o futuro: buscar reforçar seus acordos bilaterais, como fechou os acordos com a África do Sul e com a Índia.

Agencia Estado,

25 de setembro de 2003 | 13h16

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