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Brasil registra criação recorde de empregos em 2006

Renda teve o maior crescimento desde 1996. Com isso, a massa salarial subiu 11,97%; o triplo da inflação

Lu Aiko Otta, do Estadão,

22 de novembro de 2007 | 13h01

O Brasil teve em 2006 a maior geração de empregos formais da história nos setores público e privado. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2006, divulgados na manhã desta quinta-feira, pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foram criados 1,917 milhão de vagas, um aumento de 5,77% na comparação com 2005. É a maior variação absoluta desde 1985, quando se inicia a série da Rais. Já o salário médio pago aos trabalhadores aumentou 5,86%, o maior da série histórica desde 1996. Com isso, a massa salarial, que é o total de rendimentos pagos aos empregados, registrou uma expansão de 11,97%. Trata-se do maior aumento deste indicador desde 1995, atingindo o montante de R$ 43,5 bilhões. De acordo com mo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, "é quase o triplo da inflação deste período".Segundo o ministro, os números "mostram que o Brasil está vivendo um momento especial: a economia apresenta um crescimento consistente, a inflação está controlada e geração de empregos é recorde". "Não esperávamos dados tão positivos", afirmou. Ele explica que as empresas estão acreditando e investindo. "Meu chutômetro é que a Rais de 2007 será ainda melhor que a de 2006. Todas as indicações vão nessa direção." Nos quatro anos do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Rais indica a abertura de 6.471.336 novas vagas de trabalho.O setor de serviços foi o que mais contribuiu para o aumento do emprego no ano passado, segundo revelam os dados da Rais. Foram abertas 719.119 vagas no setor no ano passado. Em segundo lugar veio a indústria de transformação, com 461.322 novas vagas, seguida pelo comércio, com 325.152 vagas e a construção civil, com 148.051 vagas.A Rais capta o emprego formal de trabalhadores celetistas, estatutários e temporários. Ela é diferente do Cadastro Nacional de Emprego e Desemprego (Caged), divulgada mensalmente pelo Ministério do Trabalho, porque a Rais incorpora os trabalhadores do setor público. Também é uma estatística diferente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pois a PNAD considera também os empregos informais e os empregados domésticos, que não entram na Rais nem no Caged. Emprego tem maior crescimento para faixa de aposentados Os aposentados estão voltando ao mercado de trabalho para complementar a renda. De acordo com os dados da Rais, a faixa etária na qual houve maior índice de aumento de emprego foi aquela entre 50 e 64 anos. Em 2006, os trabalhadores nessa faixa de idade chegaram a 4.169.286, um aumento de 9,77% na comparação com 2005. "As pessoas estão conscientes da necessidade de trabalhar após a aposentadoria", disse o ministro do Trabalho. Ele avalia que a necessidade de rendimento extra é a principal razão, mas também conta o fato que as empresas têm buscado funcionários com experiência para treinar os mais jovens que estão ingressando no mercado de trabalho. "Parece um dado negativo mas não é", disse. "Seria ruim se estivesse diminuindo o emprego nas outras faixas, o que não está acontecendo."A única faixa que mostrou retração no emprego foi aquela entre 16 e 17 anos, com uma queda de 2,07%. Na avaliação de Lupi, esse dado pode indicar que os jovens têm permanecido mais tempo na escola. Os programas para incluir os jovens no mercado de trabalho estão com um desempenho aquém do desejado, admitiu o ministro.Para os trabalhadores entre 18 e 24 anos, o crescimento do número de vagas foi de apenas 3,08%, contra uma média de 5,77% para todas as faixas etárias. Em termos absolutos, os trabalhadores que mais conseguiram emprego no ano passado situam-se entre 30 e 39 anos. Nesse segmento, foram criadas 482.690 empregos, um aumento de 4,99% sobre 2005. Especialização Os trabalhadores com ensino médio completo foram os que mais conseguiram emprego no ano passado. Os dados da Rais mostram que houve um crescimento de 11,7% no volume de trabalhadores empregados com esse nível de escolaridade, um acréscimo de 1.299.862 vagas. Também houve forte crescimento do emprego para os trabalhadores com nível superior incompleto, com uma taxa de 10,81%. Já nas faixas mais baixas de escolaridade houve queda no emprego. Houve uma redução de 2,09% no estoque de trabalhadores analfabetos empregados. Com a 4ª série incompleta, a queda foi de 2,47%, enquanto que para os com 4ª série completa a queda foi de 3,24% e para os com 8ª série incompleta a retração foi de 0,33%. Para os trabalhadores com 8ª série completa ou mais, houve aumento do emprego. Os dados da Rais revelam ainda que as mulheres com nível superior completo são mais empregáveis do que os homens com a mesma escolaridade. No ano passado, houve um aumento de 5,69% nas mulheres com nível superior empregadas, enquanto para os homens o aumento foi de 3,44%. "A conclusão é que a mulher só consegue ser independente conforme sua escolaridade se eleva", disse o ministro. O outro lado da moeda é que as mulheres continuam ganhando menos do que os homens. As trabalhadoras com nível superior completo recebem em média 57,19% da remuneração paga aos homens com a mesma instrução. A desvantagem se repete em todos os níveis de instrução. "Quer dizer que as empresas estão contratando mulheres para pagar menos, essa é que é a verdade", disse o ministro.  

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