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Brasil registra maior déficit em conta corrente para maio na história

Resultado negativo somou US$ 6,635 bilhões em maio; no acumulado em 12 meses, déficit representa 3,61% do PIB

Adriana Fernandes e Victor Martins, Agência Estado

24 de junho de 2014 | 10h41

Mesmo com o crescimento menor da economia brasileira, o rombo nas contas externas continua batendo recorde. Segundo dados do Banco Central, embora o rombo tenha sido menor que em abril (US$ 8,282 bilhões), maio registrou o maior déficit para o mês, US$ 6,635 bilhões. O acumulado do ano, de US$ 40,074 bilhões, também é o mais elevado para o período. A divulgação assustou o mercado e bateu no dólar, que subiu 0,27% (cotação de 15h24), cotado a R$ 2,224. A preocupação é que com uma reação da economia, o déficit nas contas externas entre em trajetória explosiva e cresça puxado pela maior necessidade de serviços e produtos internacionais.

Ao contrário de outros anos, o rombo tem sido financiado apenas em parte pelo capital de longo prazo destinado ao setor produtivo, o Investimento Estrangeiro Direto (IED). O ingresso desses recursos não tem sido suficiente para bancar totalmente os gastos maiores do Brasil no exterior. O IED financiou 63,2% do déficit em conta corrente até maio, o restante foi bancado por dinheiro mais volátil, o País precisou contar com recursos de títulos e ações para se financiar - capital que pode deixar o país ao menor sinal de turbulência.

A preocupação maior é a de que uma retomada do crescimento possa deteriorar ainda mais as contas externas, que acumulam um déficit de 4,26% do Produto Interno Bruto (PIB) nos cinco primeiros meses do ano. Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC, vê uma moderação no ritmo de crescimento do rombo e projeta um déficit menor do que no ano passado. A estimativa da instituição é de um rombo de US$ 80 bilhões no ano. Em 2013, esse déficit havia sido de US$ 81,075 bilhões. 

A projeção do BC, no entanto, ainda pode ser revisada no próximo trimestre. O BC reduziu a projeção de déficit da balança comercial para o ano, de US$ 8 bilhões para US$ 5 bilhões, enquanto o mercado financeiro espera US$ 2 bilhões. Esse cenário indica que o BC pode, mais a frente, rever dados e projetar números piores. Se todo o cenário do Banco Central se confirmar e a previsão do mercado para a balança prevalecer frente ao da autoridade monetária, o rombo pode chegar aos US$ 83 bilhões. 

O BC ainda fez outras revisões. A estimativa para o saldo negativo na conta de serviços registrou melhora, passou de US$ 51,2 bilhões para US$ 47,6 bilhões, enquanto a previsão para o déficit em rendas manteve-se estável em US$ 39,9 bilhões. As remessas de lucros e dividendos foram reduzidas de US$ 27 bilhões para US$ 26 bilhões e a previsão de gastos com juros subiu de US$ 13,4 bilhões para US$ 14,4 bilhões. Já a estimativa para os gastos com viagens ao exterior caiu de US$ 18,5 bilhões para US$ 18,0 bilhões. "As revisões foram pontuais, ajustes finos", disse Maciel. 

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