Brasil rejeita abertura ''''verde''''

Para Celso Amorim, lista dos EUA com produtos ecológicos é novo artifício protecionista

Reuters, Jimbaran, Indonésia, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2007 | 00h00

Países ricos e pobres não conseguiram chegar a um acordo ontem sobre a abertura do comércio de produtos verdes, e o Brasil teme que uma importante proposta dos Estados Unidos e da União Européia (UE), levantada às margens das conversações climáticas em Bali, seja, na realidade, um novo artifício protecionista.Após dois dias de conversações entre representantes de 32 países, incluindo 12 ministros do Comércio, Brasil e EUA passaram a trocar críticas. A proposta envolve corte das tarifas de importação sobre uma lista de 43 produtos benéficos ao meio ambiente, como turbinas de vento e painéis solares. Se ganhar apoio amplo, pode ajudar a reduzir as emissões de gases do efeito estufa. O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse que não há acordo sobre a proposta dos EUA e UE. "Não está comprovado que efeito terá sobre mudanças climáticas", disse. Os representantes comerciais se reuniram pela primeira vez paralelamente à conferência climática anual da Organização das Nações Unidas (ONU), abrindo nova frente na batalha contra o efeito estufa. Cerca de 20 ministros das Finanças também vão se reunir em Bali. Mas o resultado das conversações do fim de semana foi menor do que esperavam a ONU e a Indonésia, que abriga a conferência. O Brasil ficou indignado pelo fato de a proposta dos EUA e da UE não abranger biocombustíveis. O País é o maior produtor mundial de etanol e o governo suspeita que a intenção seja reforçar as exportações dos países ricos. CABEÇA DA SERPENTE"O protecionismo é como a cabeça da serpente. Ela sempre tentará reerguer", disse Amorim. Ele e a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, discutiram, mais tarde, sobre como promover a abertura dos mercados de produtos ambientalmente benéficos, algo que a Rodada de Doha trata desde 2001."O único produto isolado cujos efeitos já foram comprovados - o etanol - não faz parte da lista", afirmou Amorim. O chanceler brasileiro estima que o consumo de etanol no Brasil evitou a emissão de 670 milhões de toneladas de dióxido de carbono nos últimos 30 anos."Usamos a lista do Banco Mundial porque não quisemos dar a impressão de estarmos defendendo interesses próprios", declarou Schwab. "Os EUA são importadores líquidos (desses 43 produtos). O que é complicado sobre o etanol é que ele aparece em negociações agrícolas."Ela disse que os EUA importaram US$ 18 bilhões e exportaram US$ 15 bilhões. Países em desenvolvimento, incluindo China, México, Malásia, Taiwan e Indonésia, estão entre os maiores exportadores dos produtos da lista, disse Schwab.

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