Brasil repassará US$ 10 bi para fundo anti-crise, diz Mantega

China, Rússia e Índia também financiarão fundo, que reverterá dinheiro em bônus emitidos pelo FMI

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

08 de setembro de 2009 | 14h31

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira, 8, em entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que o governo brasileiro assinará na próxima reunião do G-20, em Pittsburg (EUA), neste mês, acordo que transfere para o Fundo Monetário Internacional (FMI) US$ 10 bilhões. O dinheiro será usado em programas do Fundo para o Combate à Crise Financeira Internacional e será revertido em bônus que serão emitidos pelo fundo. Os recursos são provenientes das reservas brasileiras.

 

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Mantega informou que outros países emergentes vão comprar bônus do FMI como a China (US$ 50 bilhões) a Rússia (US$ 10 bilhões) e a Índia (US$ 10 bilhões). Mantega relatou que em reuniões de ministros da Fazenda e da Economia e presidentes de Bancos Centrais do G-20 e dos Bric, grupo que reúne Brasil, China, Rússia e Índia, houve consenso de que as mudanças no FMI e no Banco Mundial devem ser mais rápidas. Os países emergentes querem, segundo o ministro, que aumente de 40% para 47% o poder de voto no fundo. "Hoje, o poder de voto no FMI é de 60% para os países chamados avançados e de 40% para países em desenvolvimento", disse o Mantega. "Nós colocamos como meta passar 7% das ações dos países avançados para os emergentes", afirmou.

 

Na avaliação do ministro, muitos países europeus perderam poder decisório, desde a criação do FMI, na década de 40. "Tirando a França, o Reino Unido e a Alemanha, os demais países europeus não tem o mesmo peso que tinham no passado", afirmou Mantega.

 

O ministro relatou que na reunião desta terça-feira do grupo de coordenação política do governo ele apresentou dados que mostram uma retomada do crescimento no País. Mantega disse que os incentivos concedidos pelo governo brasileiro e as desonerações no setor automobilístico e para a indústria da chamada linha branca estão mantidas, dentro dos prazos estabelecidas de cada uma delas. "Pelo PIB industrial da semana passada, foi registrado um crescimento de 2,2% em relação ao mês anterior. Isso é sinal de que a indústria está em forte recuperação no Brasil, comemorou o ministro, para quem a indústria foi o setor mais afetado pela crise. Mantega avaliou que as medidas de desoneração foram um sucesso, com o aumento das vendas. Ele destacou que o Brasil apresentou bons resultados com sua política de incentivo, mesmo gastando menos que outros países. Segundo ele a China gastou 12% do PIB em incentivos para combater a crise e no Brasil esse porcentual não chegou a 1%.

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