Brasil se mantém como 7ª maior economia, mas pode cair este ano

Desempenho do PIB não alterou posição, mas a expectativa é de que o País será superado pela Índia até o fim de 2015

DANIELA AMORIM, MARIANA DURÃO / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2015 | 02h03

Apesar do crescimento pífio do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, de apenas 0,1%, o Brasil conseguiu se manter na sétima posição no ranking das maiores economias do mundo. Com um PIB de US$ 2,346 trilhões no ano passado, o País ficou atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França e Reino Unido, segundo cálculos da agência de classificação de risco Austin Rating. No entanto, a expectativa é que a economia brasileira seja ultrapassada pela Índia ainda este ano, caindo para a oitava posição.

"Não é só porque o Brasil está indo mal, mas porque a Índia está equilibrada tanto no seu crescimento quanto na sua moeda", explicou o economista-chefe da Austin, Alex Agostini.

A agência espera que a economia brasileira encolha para US$ 1,735 trilhão em 2015. A projeção leva em consideração uma taxa média para o câmbio de R$ 3,0793 no ano, além do recuo de 0,8% no PIB estimado pelo último Boletim Focus, do BC.

No quarto trimestre de 2014, em relação ao mesmo período do ano anterior, o Brasil ficou em 45.º lugar no ranking de desempenho do PIB, numa lista de 49 países que tiveram seus dados já publicados. A queda de 0,2% na atividade no período só não foi pior que o resultado da Rússia, Itália, Japão e Ucrânia.

"O resultado ganha uma percepção negativa porque há países que também passaram por crises, como Islândia, Irlanda, Grécia e Leste Europeu. Esses países cresceram, conseguiram se recuperar, e o Brasil não. Isso torna esse desempenho muito ruim", avaliou o economista.

Mesmo a Rússia, que enfrenta conjuntura negativa com a queda no preço do petróleo e sanções impostas pelo Ocidente, teve desempenho semelhante ao brasileiro. O recuo no PIB russo no quarto trimestre de 2014 foi de 0,3%..

Setor externo. O setor externo teve contribuição nula para o crescimento econômico em 2014, com quedas tanto nas exportações (-1,1%) quanto nas importações (-1%) de bens e serviços no ano, segundo o IBGE. O declínio nas cotações das commodities, a crise de parceiros como a Argentina e a desvalorização das moedas de mercados concorrentes afetaram os embarques. E o País importou menos como reflexo da atividade mais fraca e do dólar mais caro.

A queda de 10,7% das exportações no último trimestre do ano, na comparação anual, foi o pior resultado desde 2009, influenciado pela redução da exportação de plataformas de petróleo. Do lado das importações o recuo também foi significativo: 4,4%. "Essa contribuição é um espelho do que foi o ano passado, quando houve o primeiro déficit comercial desde 2000 (US$ 3,9 bilhões)", diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Para 2015, Castro acredita numa contribuição positiva do setor externo. Os manufaturados podem ser beneficiados pelo câmbio e pelo empenho do governo em se reaproximar dos EUA. Na sua última projeção oficial, em dezembro, a AEB estimava que o Brasil teria superávit comercial de US$ 8 bilhões este ano. Entretanto, com a recente queda de commodities como o petróleo e o minério de ferro, essa previsão deve ser revista para algo em torno de US$ 4,5 bi a US$ 5 bi, segundo Castro.

A economista Daiane Santos, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), entretanto, não descarta a possibilidade de o setor externo tirar fôlego da economia. A projeção da entidade é de um superávit de apenas US$ 2,2 bilhões na balança comercial este ano, com redução de 8,5% da corrente de comércio. / COLABOROU ÁLVARO CAMPOS

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