Brasil se voltou para América do Sul e África

Enquanto outras economias buscaram acordos bilaterais, País focou na OMC e no Mercosul

Renée Pereira, Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2015 | 21h16

Um dos grandes entraves à expansão das exportações é a ausência de acordos comerciais com grandes mercados. Nos últimos anos, a política externa brasileira voltou os olhos para acordos envolvendo países da América do Sul e da África. O problema é que esses dois mercados representam 6% das importações mundiais. 

Enquanto o País focou em regiões pequenas e apostou na Organização Mundial do Comércio (OMC), outras economias buscaram acordos bilaterais e multilaterais. A Colômbia tem 16 acordos com países que representam 55% do comércio mundial, afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi. Enquanto isso, o Brasil tem 14 acordos com nações que representam 7% do comércio internacional.

“Uma das razões para o Brasil não ter acordos é o Mercosul. Por ser uma união aduaneira, é preciso que todos os países, por unanimidade, tenham que concordar com um novo acordo”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). 

Esse entrave, tem dificultado as negociações com a União Europeia, por exemplo. A tarefa do governo de reconquistar os mercados perdidos nos últimos anos é bastante difícil. “Temos de provar que não vamos abandonar novamente esses mercados”, afirma ele.

Lentidão. Além disso, há uma lentidão para colocar os acordos em prática. Segundo Antônio Carlos Kieling, da Anfacer, em 2008, o Brasil firmou um acordo com a África do Sul e até hoje não entrou em operação. “O Mercosul já aprovou, mas o Congresso Nacional ainda não.”

Nesse meio tempo, diz ele, a União Europeia também fez um acordo com o país e já está exportando pra lá. “Com isso, nosso produto é taxado em 20% e o da Espanha (um dos concorrentes do Brasil no setor de cerâmica) exporta com taxa zero. Esse é o resultado da burocracia e da gestão pública.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.