Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Brasil só volta a crescer em ritmo lento e a partir de 2016, diz Goldfajn

Economista-chefe do Itaú vê cenário de 'não crise' no País e é otimista quanto a oportunidades de negócio; ele aponta, entretanto, que a redução do emprego torna a recuperação mais lenta

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

20 Maio 2015 | 11h38

O cenário que está prevalecendo no Brasil, na opinião do economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, é de não crise, mas sem bonança. O País deve apresentar recuperação lenta, segundo ele, voltando a crescer no ano que vem. Goldfajn projeta queda de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste exercício e crescimento de 0,7% em 2016.

Com base neste contexto, Goldfajn acredita que as agências de classificação de risco devem deixar uma decisão de ajuste na nota do Brasil, que vem correndo o risco de rebaixamento, para o ano que vem. "Temos uma janela de oportunidade. O mundo não está tão ruim. O crescimento do Brasil deve se recuperar em 2016, 2017 e 2018, mas será uma recuperação lenta já que deixou de criar emprego", avaliou o economista-chefe do Itaú, em evento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Para ele, a taxa de desemprego deve continuar subindo e alcançar os 7,3% neste ano, taxa que deve se manter em 2016. Sobre os juros, Goldfajn lembrou que o mercado espera que a Selic suba a 13,99% ao final de 2015. O Itaú, contudo, prevê que os juros fiquem em 13,5% neste ano e recuem para 12,00% no próximo exercício.

Sobre a indústria brasileira, Goldfajn acredita que o pior momento deve se materializar no segundo trimestre deste ano com estabilização nos três meses seguintes. Ele espera ainda que o superávit primário fique em 0,8% neste ano e 1,5% em 2016. "0,8% é um superávit suficiente, como um aluno que se esforçou bastante e alcançou a média", avaliou o economista, referindo-se ao esforço da equipe econômica, comandada por Joaquim Levy, ministro da Fazenda, de cortar os gastos públicos.

Goldfajn vê o dólar a R$ 3,10 neste ano e R$ 3,40 em 2016. Para a conta corrente, o economista-chefe do Itaú Unibanco vê queda de 4,1% do PIB neste ano e redução de 3,6%, respectivamente. 


Inflação. Ainda que os juros básicos cheguem a 14% ao final deste ano, conforme a expectativas do mercado, será difícil o Brasil baixar a inflação para a meta, de 4,5%, de acordo com o economista. "Esse ano, teremos inflação de 8,5%. Para chegar em 4,5%, precisamos de uma queda de 4 pontos porcentuais. Os dissídios já estão começando e passados oito meses, também teremos uma inflação de 8,5%. Não será fácil a inflação cair", avaliou.

Na visão mais otimista, conforme Goldfajn, o Brasil deve ter uma inflação de 5,5%, 5% no ano que vem. Ele acrescentou, contudo, que quanto mais baixo for o indicador, maior será a recessão no País à medida que os juros terão de permanecer elevados.

Sobre a Selic, que encarece o custo de emissões de letra imobiliária garantida (LIG), tema do evento da Abecip, o economista-chefe do Itaú observou que a taxa de juros atual não é permanente. "A taxa de juros não veio para ficar. Os ajustes não devem ficar por muito tempo. À medida que a inflação passe a cair, os juros também vão reduzir", analisou o especialista. 

O Itaú prevê que os juros fiquem em 13,5% neste ano e recuem para 12,00% no próximo exercício. A inflação deve ficar em 8,5% e 5,5%, nesta ordem, segundo o banco.

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