Brasil suspende importação de animais e carne da Bolívia

O governo brasileiro suspendeu temporariamente as importações de animais vivos, seus produtos e subprodutos fornecidos pela Bolívia. A determinação consta em comunicado enviado pelo Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura às Superintendências Federais de Agricultura. O comunicado é assinado pelo diretor do departamento, Jamil Gomes de Souza. No documento, Gomes de Souza informa que a restrição será mantida até que serviço oficial boliviano encaminhe ao Brasil informações detalhadas sobre o foco de febre aftosa diagnosticado na localidade de Cuatro Cañadas, Província de Ñuflo de Chavez do Departamento de Santa Cruz, que fica no leste do país. O vírus detectado na região é do tipo "O", o mesmo diagnosticado em 2005 no Mato Grosso do Sul. O diretor determinou, no documento, que as superintendências informem o ocorrido aos órgãos estaduais das políticas de defesa sanitária animal. Gomes de Souza também pede que "ações de vigilância primária, especialmente nos Estados com divisa com a Bolívia, sejam urgentemente implementadas".Após o anúncio do foco, o governo do Estado de Mato Grosso do Sul anunciou o fechamento da fronteira com a Bolívia para o trânsito de animais e produtos de origem animal e vegetal. Por precaução, todo rebanho suscetível à doença da região do Planalto de Corumbá (MS), próxima a Porto Suarez será vacinado contra a doença.Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, da Produção e do Turismo (Seprotur), foram montadas quatro barreiras fixas pelo governo federal e outras quatro volantes pela Agência Estadual de Defesa Sanitária (Iagro) na rota de trânsito entre os dois países para as ações de fiscalização e vacinação. "As ações tomadas são de precaução, não existe risco efetivo de o vírus entrar no Estado", informou a secretária, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, da Seprotur.Na quinta-feira, dia 1º, o governo sul-mato-grossense iniciará a campanha obrigatória de vacinação contra a febre aftosa em 14 municípios nas regiões de fronteira do Estado. As vacinas são gratuitas, estarão disponíveis nos escritórios locais da Iagro, e serão aplicadas em bovinos e bubalinos de até 12 meses, exceto em Corumbá, onde todos os animais deverão ser imunizados.O Ministério da Agricultura doou 1 milhão de doses para a campanha em Mato Grosso do Sul e os municípios atingidos são: Antônio João, Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Eldorado, Japorã, Mundo Novo, Paranhos, Ponta Porã, Sete Quedas e Ladário, Porto Murtinho e Corumbá.A febre aftosa é uma doença contagiosa, causada por vírus de rápida multiplicação. A moléstia ataca animais de casco dividido, como caprinos, ovinos, bubalinos, suínos e, principalmente bovinos. O último foco no País ocorreu justamente em Mato Grosso do Sul, em outubro de 2005, na região de Eldorado.A imunização de fevereiro, decidida antes do surgimento do foco na Bolívia, é uma forma de o Mato Grosso do Sul tentar recuperar o status de zona livre de aftosa com vacinação. A Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) deve anunciar quarta-feira (31) a decisão sobre a retomada, ou não, do status sanitário, perdido após o surgimento de focos da doença. Se a decisão for favorável ao Estado, o governo poderá pleitear o fim total do embargo às exportações de carnes bovinas anunciado por vários países após o surgimento dos focos.ContrabandoPara o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, a confirmação de febre aftosa na Bolívia "é uma grande preocupação para o Brasil". "O comércio formal é pequeno. O problema é o contrabando. Muita gente ainda quer lucrar com o comércio ilegal", afirmou ele. O foco interrompe um período de três anos e meio sem registro da doença na Bolívia, país que fatura US$ 10 milhões por ano com a exportação de carnes. Diante do ocorrido, Nogueira disse que a Bolívia precisa ser incluída no Programa de Ação Mercosul Livre de Febre Aftosa, que foi aprovado pelos presidentes dos países do bloco durante reunião do Conselho do Mercado Comum do Mercosul realizada na semana retrasada no Rio de Janeiro. Para executar as ações do programa, serão destinados US$ 16,3 milhões vindos do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O orçamento será aplicado no aperfeiçoamento da situação sanitária regional e das áreas de fronteira, melhorando as condições de comercialização para os animais e produtos agropecuários.Entre as principais ações do programa destacam-se intervenções nas áreas com histórico de persistência de febre aftosa e com debilidades estruturais, como a zona nordeste do Paraguai e estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, além de áreas de risco desconhecido para a febre aftosa, na Amazônia e Nordeste do Brasil, com estrutura sanitária em desenvolvimento.Matéria alterada às 15h49 para acréscimo de informações

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