''Brasil também está no hospital''

Criador de Davos afirma que encontro deste ano vai funcionar como ?sanatório mundial? para crise global

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

A criação de empregos no Brasil sofrerá ainda mais nos próximos meses com a crise global e a desaceleração do crescimento na região será profunda. O alerta é do fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, que ontem apresentou seu evento anual, que começa no dia 28, em Davos, na Suíça. Neste ano, o vilarejo nos Alpes volta às suas origens e se transformará em um "sanatório mundial". Desta vez, o doente é a própria economia do planeta."O Brasil também é um doente e a desaceleração da economia mundial irá gerar uma alta no desemprego. Sua condição geral ainda é um pouco mais favorável que a dos demais doentes", disse Klaus Schwab. "Mas isso não quer dizer que não sofra. É verdade que algumas economias estão mais saudáveis que outras. Mas todas as economias foram afetadas e estão no hospital", disse. A estação de esqui nos Alpes suíça era conhecida há um século por ser um dos melhores sanatórios da Europa. O local foi cenário de um livro de Thomas Mann, A Montanha Mágica.Schwab diz que a reunião de Davos neste ano será o primeiro evento mundial que reunirá, após a explosão da crise, empresários e governos de todo o mundo para tratar do assunto. No total, serão 2,5 mil pessoas, incluindo o primeiro-ministro russo , Vladimir Putin, a chanceler alemã, Angela Merkel, Bill Clinton, os primeiros-ministros da China, Wen Jiabao, do Reino Unido, Gordon Brown, além dos presidentes do México e da Colômbia. "Hoje, não é o momento de soluções mágicas. Mas o paciente está na UTI. Quando ele sair, precisa recriar suas forças e sua confiança no futuro e é isso que precisamos fazer com a economia mundial em Davos", disse Schwab. "Vamos voltar a ter um sanatório para o mundo, que está em uma situação ruim. Espero que o mundo saia um pouco melhor depois do evento", disse. A previsão de Davos para a América Latina é de uma "forte desaceleração da economia" em 2009. Para 2010, o cenário é ainda de incertezas, o que deve afetar o cenário político.O Brasil terá uma de suas menores delegações nos últimos anos. A ideia era que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fosse até Davos, iniciando sua promoção no cenário internacional e aproveitando para tentar vender as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a investidores. O Brasil enviará a Davos o chanceler Celso Amorim, que falará sobre os riscos do protecionismo e ainda terá uma reunião com ministros sobre o futuro da Rodada Doha. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, também estarão em Davos.

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