Fabio Motta/Estadão
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Brasil também pode ter nota de crédito rebaixada pela Moody's

Na avaliação do Bank of America, rebaixamento da avaliação da economia brasileira se mostra 'mais provável' neste momento

André Magnabosco, Agência Estado

25 Fevereiro 2015 | 09h39

A decisão da Moody´s de retirar a Petrobrás da lista de empresas com grau de investimento aumenta a pressão sobre a classificação do Brasil - na visão do Bank of America (BofA) Merrill Lynch. O rating soberano do País na agência está em Baa2, com perspectiva de possível rebaixamento, e poderia ser reduzido em um nível sem que o Brasil perdesse o grau de investimento. Tal revisão, segundo os analistas Anne Milne, David Beker e Juan Andres Duzevic, se mostra "mais provável" neste momento.

Ao comentar a decisão da Moody´s de reduzir o rating da estatal brasileira de Baa3 para Ba2, a instituição cita algumas das justificativas da agência de rating para retirar o grau de investimento da Petrobrás, como o elevado nível de alavancagem, mas pondera que o rebaixamento por apenas uma agência tem efeito limitado. 

O cenário se mostra mais desfavorável caso haja um segundo rebaixamento, já que muitos fundos ao redor do mundo são impedidos de investir em empresas que não possuam grau de investimento em ao menos duas das três grandes agências de rating mundiais - Fitch e Standard & Poor´s são as outras duas. As duas empresas, contudo, fizeram revisões para baixo ou apresentaram análises preocupantes em relação à Petrobrás, o que aumenta a possibilidade de uma nova revisão para baixo.

A percepção do BofA em relação aos títulos da Petrobrás permanece negativa, com pressão ainda mais elevada diante do risco de perda de grau de investimento. Esse cenário já se reflete na precificação da estatal no mercado internacional. 

O próprio governo teme pela nota de crédito do Brasil. O núcleo duro da política econômica brasileira, formado pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Babosa, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vem se esforçando, desde o fim do ano passado, para melhorar o quadro das contas públicas brasileiras, aumentando a transparência e a comunicação com o mercado. Mas, na noite de terça, a sensação era de que o rebaixamento da estatal poderia 'contaminar' a nota de crédito dos títulos brasileiros.

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