Brasil tem 1º déficit primário de junho e coloca meta do ano mais distante

O setor público brasileiro registrou déficit primário de 2,1 bilhões de reais em junho, o primeiro resultado negativo para esses meses, empurrando para ainda mais longe o cumprimento da meta fiscal para o ano.

REUTERS

31 de julho de 2014 | 11h28

Em 12 meses até junho, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 1,36 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta quinta-feira. A meta de superávit primário de 2014 é de 99 bilhões de reais, equivalente a 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Com isso, o setor púbico --governo central (governo federal, BC e INSS), Estados, municípios e estatais-- fechou o primeiro semestre com superávit primário de 29,380 bilhões de reais, quase 45 por cento a menos da cifra vista em igual período de 2013.

No mês passado, o governo central apresentou déficit de 2,732 bilhões de reais, com destaque para o saldo negativo de 1,593 bilhão de reais do governo federal. O desempenho foi abalado pela menor arrecadação, entre outros, diante da pior performance da atividade econômica.

O BC informou ainda que os governos regionais apresentaram superávit primário de 113 milhões de reais em junho, enquanto as estatais federais fizeram economia de 518 milhões de reais.

"O resultado de junho também reflete, em parte, a moderação de atividade e aumento de alguns itens de despesas, como o investimento", afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Só em maio e junho passados, o setor público registrou déficit primário de 13,146 bilhões de reais, o que "torna o atingimento da meta (do ano) mais distante e difícil e exigirá maior esforço do governo em obtê-la", acrescentou Maciel. "Não significa que não seja possível atingi-la. O Tesouro trabalha para isso".No semestre passado, o governo central fez superávit primário de 15,370 bilhões de reais, menos a metade vista entre janeiro e junho de 2013 (33,728 bilhões de reais). Os Estados e municípios também reduziram a economia feita no período, mas com menor intensidade: o superávit recuou 26 por cento, a 13,674 bilhões de reais.

O cenário de fraca atividade, aliado às manobras fiscais usadas no passado para fechar as contas, reforça as desconfianças dos agentes econômicos sobre a capacidade do governo em cumprir a meta de superávit primário este ano, em que a presidente Dilma Rousseff disputa um segundo mandato.

O BC informou também que o déficit nominal --receitas menos despesas, incluindo pagamento de juros-- ficou em 20,792 bilhões de reais no mês passado, enquanto a dívida pública representou 34,9 por cento do PIB.

(Por Luciana Otoni)

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