Felipe Rau/Estadao
Felipe Rau/Estadao

Em meio à pandemia, Brasil adiciona 11 bilionários à lista global da ‘Forbes’

No ranking que considera residentes no País, figuram um total de 56 empresários e executivos; entre estreantes na lista da revista, estão Guilherme Benchimol (XP), Ilson Mateus (Grupo Mateus) e o colombiano David Vélez (Nubank)

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 17h14
Atualizado 06 de abril de 2021 | 21h53

A revista americana Forbes divulgou nesta terça-feira, 6, o novo ranking global dos bilionários em 2021. São 2,7 mil pessoas no total. Deste contingente, 56 moram no Brasil, sendo que 11 são novatos na lista – a expansão da presença nacional se deu apesar da crise gerada pela pandemia de covid-19, que fez a economia do País recuar mais de 4% em 2020. Entre os que aparecem pela primeira vez no ranking estão David Vélez (cofundador do Nubank, que é colombiano, mas mora no Brasil), Guilherme Benchimol (fundador da XP) e Ilson Mateus (Grupo Mateus). 

Houve uma mudança na metodologia neste ano. No levantamento atual, a publicação considerou o país de domicílio de executivos e empresários. Desta forma, bilionários brasileiros como Jorge Paulo Lemann, sócio da gigante das bebidas AB InBev e das operações globais da Kraft Heinz e do Burger King, não entram mais na conta brasileira. Lemann mora na Suíça. Da mesma forma, segundo a revista, Antonio Luiz Seabra, da Natura, também aparece como listado pelo Reino Unido. 

Quando essa divisão de domicílio é desconsiderada, e entram na conta empresários brasileiros residentes ou não no País, a presença nacional na lista sobe para um total de 65 pessoas. Mais uma vez, o avanço foi grande – por este método, havia 45 brasileiros listados em 2020. Esses executivos e empresários têm, no total, um patrimônio de quase US$ 220 bilhões – forte alta sobre os US$ 127 bilhões registrados no ano passado, de acordo com a revista. 

Parte dos estreantes na lista da Forbes tem sua ascensão ligada ao crescimento de seus negócios, a investimentos recebidos de fontes privadas ou a aberturas de capital. A XP, por exemplo, abriu o capital na Nasdaq (bolsa americana ligada ao setor de tecnologia) no fim de 2019, mas empreendeu forte crescimento no ano passado. Por isso, Benchimol, seu fundador, agora aparece como representante brasileiro no ranking global de bilionários (veja a lista de “novatos” ao lado).

Já o banco digital Nubank recebeu um aporte de US$ 400 milhões (mais de R$ 2 bilhões) em janeiro de 2021, em uma operação liderada pelo GIC, fundo soberano de Cingapura. Desta forma, o banco fundado por Veléz, que passou a figurar no ranking, chegou a uma avaliação total de US$ 25 bilhões, de acordo com fontes de mercado. Uma abertura de capital já está no horizonte da instituição financeira. A aposta dos investidores é que, como ocorreu com a XP, o Nubank também opte por abrir seu capital nos EUA.

Outro caso curioso da lista é o de Ilson Mateus, ex-garimpeiro que fundou o Grupo Mateus, um dos destaques do setor de atacarejo da região Nordeste. No ano passado, em operação comandada pela XP, a empresa captou R$ 4,63 bilhões em seu IPO (oferta inicial de ações na B3, a Bolsa paulista). O empresário fundou a companhia no Sul do Maranhão, ao lado da primeira esposa, Maria Ribeiro, que também entrou para o ranking de bilionários da Forbes. 

Dança das cadeiras

Na edição brasileira publicada em setembro do ano passado, cujos valores eram listados em reais, o banqueiro Joseph Safra havia desbancado Lemann como o brasileiro mais rico

Com a morte de Safra, em dezembro de 2020, seus herdeiros passaram a constar na lista global da Forbes de forma conjunta, com fortuna de mais de US$ 7 bilhões. No entanto, segundo a publicação, Lemann voltou a ser o brasileiro mais rico, com fortuna de US$ 16,9 bilhões – o suficiente para assumir a 114.ª posição em todo o mundo.

Veja quem são os novos bilionários que moram no Brasil: 

Veja todos os bilionários que moram no Brasil: 

  • Marcel Herrmann Telles, da ABInbev, com US$ 11,5 bilhões;
  • Jorge Neval Moll Filho, da Rede D'Or, com US$ 11,3 bilhões;
  • Família Safra, com US$ 7,1 bilhões;
  • Dulce Pugliese de Godoy Bueno, da Amil, com US$  6 bilhões;
  • Alceu Elias Feldmann, da Fertipar, com US$ 5,4 bilhões;
  • Luiza Helena Trajano, da Magazine Luiza, com US$ 5,3 bilhões;
  • David Vélez, do Nubank, com US$ 5,2 bilhões;
  • Luís Frias, do PagSeguro, com US$ 4,6 bilhões;
  • Andre Esteves, do BTG Pactual, com US$ 4,5 bilhões;
  • Candido Pinheiro Koren de Lima, do Hapvida, com Us$ 3,7 bilhões;
  • Franco Bittar Garcia, do Magazine Luiza, com US$ 3,5 bilhões;
  • Pedro de Godoy Bueno, do Dasa, com US$ 3 bilhões;
  • Joesley Batista, da JBS, com US$ 2,9 bilhões;
  • Wesley Batista, da JBS, com US$ 2,9 bilhões;
  • Luciano Hang, da Havan, com US$ 2,7 bilhões;
  • Guilherme Benchimol, da XP, com US$ 2,6 bilhões;
  • Abilio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, com US$ 2,6 bilhões;
  • Jose Luis Cutrale, do Sucocitrico Cutrale, com US$ 2,5 bilhões;
  • Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco, com US$ 2,5 bilhões;
  • Carlos Sanchez, da EMS (produtos farmacêuticos), com US$ 2,5 bilhões;
  • Andre Street, da StoneCo, com US$ 2,5 bilhões 
  • Eduardo de Pontes, da StoneCo, com US$ 2,4 bilhões;
  • Fernando Roberto Moreira Salles, do Itaú Unibanco, com US$ 2,3 bilhões;
  • João Moreira Salles, do Itaú Unibanco, com US$ 2,3 bilhões;
  • Walther Moreira Salles Junior, do Itaú Unibanco, com US$ 2,3 bilhões;
  • Jose Joao Abdalla Filho, do Banco Clássico, com US$ 2,2 bilhões;
  • Miguel Krigsner, do Boticário, com US$ 2,2 bilhões;
  • Rubens Menin Teixeira de Souza, do MRV, com US$ 2,2 bilhões;
  • Julio Bozano, do Banco Bozano, com US$ 2,1 bilhões;
  • Fabricio Garcia, do Magazine Luiza, com US$ 2,1 bilhões;
  • Flavia Bittar Garcia Faleiros, do Magazine Luiza, com US$ 2,1 bilhões;
  • João Alves de Queiroz Filho, da Arisco, com US$ 1,9 bilhão;
  • Ermirio Pereira de Moraes, do Grupo Votorantim, com US$ 1,9 bilhão;
  • Maria Helena Moraes Scripilliti, o Grupo Votorantim, com US$ 1,9 bilhão;
  • João Roberto Marinho, do Grupo Globo, com US$ 1,8 bilhão; 
  • José Roberto Marinho, do Grupo Globo, com US$ 1,8 bilhão; 
  • Roberto Irineu Marinho, do Grupo Globo, com US$ 1,8 bilhão; 
  • Jorge Pinheiro Koren de Lima, do Hapvida, com  US$ 1,8 bilhão; 
  • Candido Pinheiro Koren de Lima Junior, com US$ 1,8 bilhão; 
  • David Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,7 bilhão; 
  • Alfredo Egydio de Arruda Villela Filho, do Itaú Unibanco, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Daniel Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Jorge Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Ruben Feffer, do Grupo Suzano, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Alexandre Grendene Bartelle, da Grendene, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Rubens Ometto Silveira Mello, da Cosan, com US$ 1,6 bilhão; 
  • Lirio Parisotto, da Videolar, com US$ 1,5 bilhão; 
  • Fernando Trajano, do Magazine Luiza, com com US$ 1,5 bilhão;
  • Samuel Barata, da DPSP, com US$ 1,4 bilhão;
  • Maurizio Billi, da Eurofarma, com US$ 1,4 bilhão;
  • Ana Lucia de Mattos Barretto Villela, do Itaú Unibanco, com US$ 1,4 bilhão;
  • Jayme Brasil Garfinkel, da Porto Seguro, com US$ 1,4 bilhão;
  • Guilherme Peirao Leal, da Natura, com US$ 1,4 bilhão;
  • Anne Marie Werninghaus, da Weg, com US$ 1,1 bilhão;
  • Ilson Mateus, do Grupo Mateus, com US$ 1,4 bilhão;
  • Maria Pinheiro, do Grupo Mateus, com  US$ 1 bilhão

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