Desemprego atinge 13,8 milhões de brasileiros

Taxa de desemprego atingiu 13,3% no trimestre encerrado em maio, maior nível na mesma base de comparação desde o início da série, segundo o IBGE

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 Junho 2017 | 09h18

 RIO - O mercado de trabalho voltou a dar sinais de que parou de piorar. A taxa de desemprego do trimestre terminado em maio ficou em 13,3%, com estabilidade tanto no número total de desempregados quanto de empregados, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), abaixo do registrado em março (13,7%) e abril (13,6%). 

Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, sugeriu cautela ao analisar os dados, porque houve queda nos postos de trabalho com carteira e aumento nos sem carteira. Para ele, a estabilidade no desemprego acompanhada de redução nas vagas registradas “coloca uma dúvida”. 

“Vamos aguardar as próximas divulgações para interpretar melhor esse resultado com o fechamento do segundo trimestre. Temos hoje uma crise política e uma crise econômica”, afirmou Azeredo.

O contingente total de desempregados ficou em 13,771 milhões de pessoas, abaixo dos níveis vistos nas edições de março e abril, quando estava no patamar de 14,1 milhões de pessoas. Ainda assim, o montante está 20,4% acima do trimestre encerrado em maio de 2016. Com isso, a taxa de desemprego de 13,3% é a maior para o período de março a maio da série da Pnad Contínua, iniciada em 2012.

Já o total de trabalhadores com emprego, com ou sem carteira, somou 89,687 milhões de pessoas no trimestre até maio, alta de apenas 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior (dezembro de 2016 a fevereiro). Em um ano, foi perdido 1,161 milhão de postos de trabalho.

“Na comparação dos dados de população ocupada deste trimestre (encerrado em maio) com o trimestre equivalente do ano passado, os resultados mostram que a queda tem sido cada vez menor, o ritmo de queda tem se reduzido”, disse Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria.

Renda. No lado positivo, a renda média real do trabalhador foi de R$ 2.109, alta de 2,3% em relação a 2016, considerada estabilidade pelo IBGE. Segundo Azeredo, o comportamento da renda está relacionado ao alívio na inflação.

Por outro lado, o total de trabalhadores com carteira assinada somou 33,258 milhões de pessoas, queda de 3,4% ante o trimestre entre março e maio de 2016. O registro é de 1,185 milhão de vagas formais a menos. Já as vagas sem carteira assinada cresceram em 4,1% na mesma comparação, com 409 mil pessoas a mais, atingindo um contingente de 10,471 milhões de pessoas. 

“Perdemos 2,7 milhões de postos de trabalho com carteira em dois anos”, disse Azeredo, do IBGE. 

Para o economista João Sabóia, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a taxa de desemprego está se estabilizando, mas num nível mais elevado e em uma “situação mais precária”, por causa da alta nos postos de trabalho sem carteira assinada.

Como as projeções de crescimento econômico para este ano seguem muito baixas, Sabóia não vê chance de o mercado de trabalho melhorar no curto prazo. A melhoria ficará para o ano que vem e, mesmo assim, sem muito otimismo. “Se melhorar, melhora pouco”, disse o professor. / COLABOROU CAIO RINALDI

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