Brasil tem 15 milhões de novos empreendedores, diz pesquisa

Estudo mostra também que 57% decidiram abrir o negócio por causa das oportunidades do mercado

Amanda Valeri, da AE

19 de março de 2008 | 13h42

O sonho de ter um negócio próprio, viver sem patrão, é uma realidade cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Em 2007, havia 15 milhões de empreendimentos iniciais no País, aqueles em fase de implantação ou com até 42 meses de vida, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Este número corresponde a 12,72% da população adulta, de 118 milhões de brasileiros com 18 a 64 anos de idade. No mundo, o Brasil ocupa a nona colocação entre os países empreendedores. O estudo, divulgado  nesta quarta-feira, 19, pelo Sebrae Nacional e pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), mostrou também que 57% dos empreendedores iniciais, cerca de oito milhões de iniciativas, decidiram abrir o negócio por causa das oportunidades do mercado. Já os 43% restantes, cerca de sete milhões de novos negócios, entraram neste segmento por necessidade. Boa saúde Na avaliação do diretor-técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza, esse aumento na criação de empresas está ligado à boa saúde da economia brasileira. "O Brasil experimenta um período de crescimento continuado e isso estimula novos negócios", afirmou. Ele lembra que eles são muito suscetíveis às variações na economia, ou seja, são os primeiros a sentirem os efeitos de queda de consumo ou dificuldades de crédito. No entanto, quando a economia vai bem a sobrevivência das novas empresas funciona como estímulo ao surgimento de outras. Serviços  O setor de serviços foi o que concentrou o maior número de novas empresas em 2007, 54,1%, com destaque para a comercialização de alimentos e roupas no varejo, crescimento de 36% de 2006 para o ano seguinte. Outros destaques foram bares e lanchonetes (56%) e tratamentos de estética e beleza (66%).  A preferência por essas atividades se dá pela possibilidade do uso de computadores, que aceleram o processo e ampliam a produtividade. "As maiores e melhores oportunidades estão concentradas no comércio e nos serviços. Vale destacar que os empreendedores estão ocupando nichos que prestam serviços para outras empresas, para o mercado em geral. É um nicho que tem um grande potencial e que já equivale a 17% do setor de serviços", observou Barboza. "As pessoas agora querem os serviços nas suas residências, como as refeições. E isso tem contribuído para o crescimento de empreendimentos no setor", continuou. Na outra ponta, a prestação de serviços de reparação de escritório e informática registrou uma queda de 59%. Outro destaque ficou por conta do setor de transformação, que teve uma expansão de 29,7% em 2007.  Emprego  No período de janeiro a maio do ano passado houve um incremento de 1,15% no número de pessoal ocupado em relação ao mesmo período em 2006. Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram de alimentos e bebidas (5,5%), produtos de metal (5,1%) e meios de transporte (4,3%). A pesquisa destaca que esses dados "reforçam que os setores de serviços são os mais promissores na geração de empregos, particularmente naquelas atividades relacionadas a alimentos e bebidas". "Um movimento interessante que observamos é que está crescendo o número de emprego com carteira assinada. Além disso, do total de vagas oferecidas por estes empreendimentos, 57% dos postos de trabalho estão nas micro e pequenas empresas", destacou o diretor-técnico do Sebrae Nacional. Cenário Mundial  No ranking mundial, com uma Taxa de Empresas Iniciantes (TEA) de 12,72%, o Brasil ocupa a nona colocação entre os principais países empreendedores iniciantes do mundo, atrás da Tailândia (26,87%), Peru (25,89%), Colômbia (22,72%), Venezuela (20,16%), República Dominicana (16,75%), China (16,43%), Argentina (14,43%) e Chile (13,43%). A pesquisa também fez uma análise entre o Brasil e três grupos de países: G7 - Canadá, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão; Bric - Brasil, Rússia, China, Hong Kong e Índia; e os países da América Latina. Segundo o estudo, constatou-se que a taxa brasileira é "representativa quando comparada com outros países que desempenham importante papel no cenário mundial". Também destaca, no caso dos países com altas taxas, a relativa estabilidade da TEA no tempo. Países como Brasil, China e Peru, com taxas superiores a 10, têm mantido sua posição entre os mais dinâmicos do mundo em termos de atividade empreendedora.

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