Brasil tem 3ª meta de inflação mais alta do mundo

Meta de 4,5%, fica atrás apenas da Romênia e da Indonésia, com 7% e 5%

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 16h18

O Brasil tem a terceira maior meta de inflação entre os 25 países que adotam o mecanismo em todo mundo, depois da Romênia e da Indonésia, de acordo com um levantamento compilado pelo ABN-Amro. A meta brasileira é de uma inflação anual de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos para baixo ou para cima, o que significa que a inflação pode ficar entre 2,5% e 6,5%. A da Romênia é de 7%, sem margem de tolerância, e a da Indonésia é de 5%, com um ponto de tolerância. Considerando a margem de tolerância, a meta brasileira torna-se a segunda mais alta, ultrapassada apenas pela Romênia, que no próximo ano terá que reduzir sua meta para 2% para se adequar às regras da União Européia.PolêmicaNa média, os 17 países emergentes que adotam o sistema de metas de inflação têm um índice de 3,6%, com uma margem de tolerância de 1 ponto. Os oito países industrializados que adotam o mecanismo têm uma média de 2,1%, com uma margem de tolerância de 0,6 ponto percentual.O anúncio da manutenção da meta em 4,5%, na terça-feira, provocou polêmica, especialmente com as declarações de que o Banco Central está autorizado a buscar um índice de 4%.Economistas do mercado avaliam que a meta poderia ser reduzida formalmente, já que a previsão de inflação do mercado é de 3,7% para este ano e de 4% para o próximo.Os que defendem o nível atual, como o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, argumentam que a meta não é importante, e o que importa é a redução da inflação.Classificação de riscoNa avaliação da economista Zeina Latif, do banco ABN-Amro, responsável pela compilação dos dados junto com a economista Tatiana Pinheiro, a manutenção da meta brasileira em 4,5% por cinco anos pode passar aos investidores a impressão de que o país não está se esforçando para melhorar as condições macroeconômicas."Já avançamos muito, é inegável, mas comparativamente a outros países, pode parecer aos investidores que a política macroeconômica ainda não está totalmente amadurecida", afirmou Zeina.Ela diz que é preciso mostrar, especialmente aos investidores estrangeiros, que podem não conhecer o País tão bem e olhar mais para os números, que o Brasil está se esforçando para levar o índice de inflação mais próximo aos dos outros países emergentes que adotam o sistema de metas.A economista diz que estudos feitos pelo banco mostram que a inflação baixa é um dos componentes levados em conta pelas agências de rating na hora de decidir se o país será ou não classificado como grau de investimento.A obtenção do grau de investimento é o objetivo principal da equipe econômica, já que muitos fundos de investimentos só podem investir em papéis de governos com esta classificação. O aumento do interesse dos investidores levaria a uma maior entrada de recursos e permitiria a redução dos juros pagos.Meta de Inflação Romênia 7% Indonésia 5% Brasil 4,5% Filipinas 4,5%África do Sul 4,5% Turquia 4%Coréia do Sul 3% Chile 3% México 3% Peru 2,5% Polônia 2,5% Noruega 2,5% Austrália 2,5% Grã-Bretanha 2% Suécia 2%Tailândia 1,8% Suíça 1% Fonte: ABN-Amro

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