Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Brasil tem 804 fusões e aquisições no 1º semestre, no melhor resultado em 10 anos

Segundo levantamento da consultoria KPMG, com a retomada gradativa da economia, empresas buscaram oportunidades para crescer; pandemia também impulsionou a busca por inovação e a transformação digital

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2021 | 13h10

RIO - O movimento de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) acelerou durante a pandemia e deve permanecer intenso nos próximos meses, com impulso de negócios de diferentes portes. No primeiro semestre deste ano foram realizadas 804 operações no País, 56% acima do mesmo período do ano passado, quando foram fechados 514 negócios. 

Levantamento da consultoria KPMG mostra que o volume de operações realizadas nos primeiros seis meses deste ano é recorde, superando o segundo semestre de 2019, que registrou 688 operações. A taxa de crescimento, por sua vez, foi a maior em, pelo menos, dez anos, início da série histórica disponível.

“O mercado doméstico está aquecido, mesmo com a pandemia. A retomada gradativa da economia observada no primeiro semestre fez as empresas buscarem oportunidades para crescer. Acreditamos também que muitas operações ficaram represadas no ano passado devido ao momento de incertezas e estão sendo concretizadas este ano”, afirma Luís Motta, sócio da KPMG e coordenador da pesquisa.

Segundo a consultoria, 36 dos 43 atividades econômicas pesquisadas realizaram alguma operação de M&A. O grande destaque ficou para as companhias de internet, com 268 operações - a KPMG faz a separação por categoria com base no setor das empresas adquiridas. Em seguida, aparecem as companhias de tecnologia da informação (131 operações) e instituições financeiras (92).

Outros setores em destaque foram varejo (29 operações), companhias de serviço (25), imobiliário (22), telecomunicações (22), hospital, laboratório de análise clínicas (22), companhias de energia (21) e educação (20).

Para Motta, diferentes tendências explicam o maior volume de transações neste ano. Um deles é a necessidade das empresas em inovar e fazer a transformação digital, o que foi acelerado pela pandemia. Esse tipo de necessidade explica a presença das companhias de internet e tecnologia da informação no topo das operações realizadas.

“As operações também cresceram por outros fatores, como uma tendência de empresas capitalizadas buscarem ativos para aumentar a eficiência e também o retorno do investidor estrangeiro. Durante a pandemia, esses investidores ficaram mais focados em seus próprios países e agora voltam com força”, afirma.

Com relação ao tipo de transação concretizada nos primeiros seis meses do ano, 524 foram do tipo doméstica - ou seja, realizada entre empresas brasileiras. Outras 256 foram classificadas como CB1 (estrangeiro adquirindo empresa brasileira). “Foi o melhor semestre da história tento para as transações domésticas quanto para as transações CB1 desde o início da nossa pesquisa”, acrescenta Motta.

O levantamento não consolida o valor nem lista as operações realizadas. É sabido, porém, que as empresas preencheram cheques gordos no período. O Carrefour, por exemplo, fez a aquisição do grupo BIG Brasil em operação de R$ 7,5 bilhões. O fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi, adquiriu a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) da Petrobras por cerca de R$ 9 bilhões.

O segundo semestre começou aquecido para fusões e aquisições no País. O Magazine Luiza anunciou em meados de julho a compra de 100% do KaBuM!, maior plataforma de e-commerce de tecnologia e games do país, por cerca de R$ 1 bilhão, mais ações. Em agosto, a Americanas anunciou a compra das redes Hortifruti e Natural da Terra por R$ 2,1 bilhões.

Motta conta que, considerados apenas anos "fechados" (janeiro a dezembro), o recorde atual de M&A no País foi registrado em 2019, com 1.231 operações. Ele considera provável que 2021 registre o novo recorde. Em 2020, foram realizadas 1.117 operações. “Provavelmente teremos o melhor ano em fusões e aquisições”, afirma o sócio da KPMG e coordenador da pesquisa. 

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