Brasil tem a menor geração de empregos formais desde 2002

Saldo entre contratações e demissões de funcionários com carteira ficou positivo em 396.993 em 2014, uma queda de 64,5% ante 2013

Agência Estado

23 de janeiro de 2015 | 14h12

Atualizado às 14h50

SÃO PAULO - O Brasil fechou 2014 com a menor geração de empregos formais desde 2002, quando teve início a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em abril do ano passado, Manoel Dias estimou que o resultado do ano passado ficaria "em torno de 1,5 milhão de novos postos de trabalho".

O saldo entre contratações e demissões de funcionários com carteira assinada ficou positivo em 396.993 em 2014, na série com ajuste, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado representa uma queda de 64,5% em relação ao saldo de 2013.

Já em dezembro, o saldo líquido sem ajuste sazonal ficou negativo em 555.508 - a pior marca para o mês desde 2008. Esse resultado foi 9,42% pior do que em dezembro do ano anterior, quando 507.707 vagas foram fechadas, pela série ajustada. Já pela série sem ajuste, a piora foi de 23,60%.

Preferida do ministério, a série sem ajuste considera apenas o envio de dados pelas empresas dentro do prazo determinado pelo MTE. Após esse período, há um ajuste da série histórica, quando as empregadoras enviam as informações atualizadas para o governo. 

Em 2014, o setor de serviços foi o responsável pela maior geração de vagas formais. No ano, foram criados 476.108 postos de trabalho no segmento. Já a indústria de transformação eliminou 163.817 postos de trabalho em 2014. 

O comércio foi o segundo setor que mais gerou vagas no ano passado. O saldo foi de 180.814 postos. A agricultura, por sua vez, fechou o ano com um saldo negativo de 370 vagas. A construção civil terminou 2014 com uma redução de 106.476 vagas. 

Tradicionalmente, o mês de dezembro é marcado por demissões. No setor de serviços, foram 148.737 demitidos; na indústria, 171.763; no comércio, 14.594; na agricultura, 64.087; e, na construção, 132.015.

Em entrevista ao Estado antes da divulgação dos dados, o ministro Manoel Dias avaliou que haverá demissões "em alguns setores" neste ano. "Nós não estamos com demanda para criar 20, 50, 100 mil empregos", afirmou. A indústria, segundo ele, é um exemplo de setor que passa por dificuldades. "Demissão haverá em alguns setores, como está havendo na indústria", disse o ministro.

Apesar de sustentar que o Brasil permanece com economia sólida, inflação sob controle e boas expectativas de investimento externo e consumo doméstico, Dias deu sinais de que a criação de empregos formais neste ano pode andar de lado. "Mantendo o nível de emprego, criando vegetativamente o número necessário (de vagas), nós responderemos, pelos menos nesse período."

O ano, segundo ele, "pode ser e deve ser" mais difícil. Dias ponderou que outras áreas, como a agricultura, continuam bem e batendo recordes de produção. "A maioria dos setores está funcionando." 

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